Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 16/06/2018
Durante a Revolução Agrícola datada em 10.000 a.C, a vida nômade do ser humano foi abandonada gradativamente, dando espaço para o sedentarismo, isto é, o homem passou a viver em lugares fixos e começou a alimentar-se com alimentos cada vez mais calóricos sem a movimentação necessária para consumir toda a energia, gerando a obesidade. Entretanto, nota-se que esse problema é frequente até os dias atuais, principalmente em crianças. Sendo assim, há vários desafios quanto ao combate ao excesso de peso infantil, tais como a negligência da família e a falta de incentivo nas escolas.
Um dos sérios desafios em relação ao combate à obesidade infantil é o fato desse problema ser negligenciado durante a infância pela família. Muitos pais ainda acreditam na velha e errônea história de que criança gordinha é criança saudável e, com isso, acabam por não controlar a alimentação dos filhos. Além disso, sabe-se que a maioria das crianças herdam maus hábitos alimentares por influência familiar. Por conseguinte, essa falta de controle e má influência dos pais faz com que os filhos comam cada vez mais, gerando a obesidade, além de problemas cardíacos ou até mesmo transtornos alimentares. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a família é o habitus primário, ou seja, a convivência familiar é o primeiro meio de socialização do indivíduo, o qual herda valores e costumes desse ambiente que acompanharão sua vida. Essa teoria comprova tamanha importância dos hábitos familiares na vida das crianças.
Ademais, a má influência na alimentação da maioria das escolas também é um obstáculo na educação alimentar das crianças. Muitos colégios oferecem merendas com alto índice calórico aos seus alunos e, com isso, corroboram para o mau hábito alimentar. Consequentemente, além de não ajudar no combate à obesidade, a não ingestão de comidas saudáveis pode causar efeitos como desânimo e o baixo rendimento nas atividades escolares. De acordo com a professora Sônia Lucena de Andrade, do curso de nutrição da Universidade Federal de Pernambuco, há uma resistência grande dos gestores e dos professores em promover uma alimentação saudável nas escolas.
Torna- se evidente, portanto, que uma das dificuldades do combate à obesidade infantil é a desatenção dos pais para com os filhos e a falta de incentivo nas escolas. Logo, pede-se às famílias que monitorem a alimentação das crianças, optando por oferecer alimentos mais saudáveis em casa, para que isso torna-se um hábito não só na vida infantil, mas também quando adultos. Cabe também ao Ministério da Educação em parceria com as escolas, o fornecimento de lanches não calóricos, bem como a realização de palestras de incentivo à boa alimentação, a fim de que as instituições de ensino participem ativamente na saúde dos alunos, colaborando para uma vida mais saudável.