Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 17/10/2018
Na idade média o sinônimo de saúde e qualidade de vida era relacionada, muitas vezes, às pessoas acima do peso, fator esse associado à dificuldade de manter uma alimentação básica pela população durante essa época. No entanto, hodiernamente, é sabido que a obesidade causa grandes problemas à saúde do indivíduo, principalmente, do público infantil. Sob essa ótica, alguns entraves devem ser levantados para mitigar esse problema, como os hábitos da sociedade moderna e o alto consumo de alimentos ultraprocessados na infância.
Em primeiro lugar, vale destacar o aumento de crianças obesas na contemporaneidade. Segundo o IBGE, nos últimos 20 anos a obesidade infantil quadruplicou no Brasil, atingindo a marca de 8 milhões de crianças. Nesse sentido, nota-se que esse crescimento é atrelado aos novos hábitos das famílias em geral, o que reflete no comportamento dessas crianças, como a baixa prática de atividades físicas, o uso exagerado de televisão e “vídeo-games”. Além disso, o ritmo acelerado do trabalho dos pais intensifica esse problema, haja vista a falta de tempo para um almoço em família, o que contribui para o uso cada vez maior de alimentos de rápido preparo, destacando-se os ‘fast-foods’ e ultraprocessados.
Por conseguinte, ressalta-se o excesso no consumo de utlraprocessados no Brasil. De acordo com a rede ‘Food Network’, houve um acréscimo de 20% no uso desses alimentos. Nesse panorama, o uso indiscriminado desses produtos contribui para o aumento de peso da criança, tendo em conta a alta concentração de sal, açúcares e realçadores de sabor que, devido a sua grande quantidade, torna-se tóxico ao organismo. Dessa forma, esses alimentos são condicionados a serem mais saborosos, o que ’escraviza’ o paladar da criança, que se acostuma a se alimentar com esse tipo de refeição e, assim, rejeitar os alimentos naturais saudáveis, os quais não possuem a mesma atratividade no sabor.
Fica evidente, portanto, a necessidade de uma intervenção dos poderes públicos e da sociedade civil. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a “Associação Childhood Brasil”, promover o mês de outubro, por ter o “Dia das Crianças”, como o “Mês Contra a Obesidade”, intensificando nesse mês palestras e reuniões nas escolas e praças públicas com os pais e filhos. Para que, dessa forma, possa alertá-los sobre como fazer uma alimentação saudável e ensinar diversas atividades físicas de fácil execução para serem praticadas regularmente, com o intuito de que mudem o hábito antigo. Por fim, cabe a Agência de Vigilância Sanitária, em parceria com nutricionistas especialistas em alimentação infantil, fiscalizar as indústrias alimentícias e decretar, por lei, um limite seguro de sais e açúcares nos alimentos ultraprocessados, a fim de que não sejam nocivos ao organismo das crianças e que possa ser competitivo com alimentos naturais saudáveis.