Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 02/10/2018

Desde a estabilização do capitalismo no século XVI - e principalmente com o estilo de vida acelerado que este trouxe -, o ser humano vem se distanciando cada vez mais do cuidado com o corpo. Isso tem sido um problema de saúde pública, principalmente entre os jovens, e os dados são preocupantes: segundo a OMS, um terço dos infantes são obesos. Esse quadro se deve, principalmente, ao descuido na alimentação, mas outros fatores também influenciam nesse cenário, como a ausência de práticas físicas, que causa o sedentarismo entre as crianças e adolescentes.

O filme de animação “Tá chovendo hambúrguer” retrata um grupo de personagens envolvidos em uma catástrofe causada por uma chuva de hambúrgueres, resultado de uma invenção de um cientista que buscava uma alternativa para a felicidade das pessoas. Fora das telas - e de forma indireta - as redes de fast-food são as encarregadas de trazer alegria para os consumidores, com seus lanches saborosos e suas propagandas e promoções chamativas aos olhos do infante. Esses fatores, aliados à praticidade do lanche pronto, fazem com que essa opção seja a mais viável para muitas famílias, perpetuando o quadro de obesidade infantil no Brasil.

Além disso, outro fator que contribui para esse cenário é o crescente sedentarismo das crianças e adolescentes. Atraídos por videogames, computadores e pelas redes sociais, muitos jovens não têm o hábito de praticar atividades físicas regulares, aumentando o fator de risco para problemas cardiovasculares e diminuindo a expectativa de vida dos infantes. Apesar de incluída como matéria da grade escolar, a Educação Física pouco é praticada nas escolas, sendo vista como uma disciplina de pouca importância. Essa inércia, aliada à má alimentação e hábitos noturnos ruins, desencadeia um quadro de sobrepeso no adolescente, o que acarreta em problemas de saúde e emocionais.

À vista disso, torna-se evidente a necessidade de medidas que possam mitigar essa situação. É papel do Ministério Público Federal regular as propagandas que são exibidas na mídia, a fim de evitar a crescente exposição - e, consequentemente, consumo - de lanches hipercalóricos. É dever da família cuidar da alimentação do infante, optando sempre por alimentos mais saudáveis e com menos gorduras, com o fito de criar um hábito alimentar mais benéfico à criança. Por sua vez, é papel das escolas promover atividades lúdicas e divertidas aos alunos, de modo a criarem neles o hábito de praticar exercícios físicos. Por fim, é dever das Prefeituras, junto com os veículos midiáticos, oferecer projetos como corridas anuais infantis, com brindes e prêmios, a fim de incentivar a prática regular de atividades ao ar livre. Dessa forma, será possível diminuir o quadro de sobrepeso entre as crianças brasileiras.