Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 17/07/2018

Durante muito tempo, permeou-se na sociedade a ideia de que criança gordinha era sinônimo de saúde. Torna-se compreensível tal pensamento, visto que, antigamente os recursos financeiros da população eram escassos fazendo com que existissem muitas crianças subnutridas. No entanto, na realidade pós-moderna a obesidade infantil configura-se em um grande entrave social. Dessa forma, com a falta de atividades físicas no cotidiano das crianças atrelado ao descaso parental, a problemática instala-se.

Primeiramente, convém destacar que o sedentarismo é uma das maiores causas do impasse. Hodiernamente, tornou-se comum que indivíduos na tenra idade prefiram jogos eletrônicos e o entretenimento da televisão do que praticar as brincadeiras e atividades características de sua idade. Segundo o IBGE, 47,6% das crianças no Brasil entre 5 a 9 anos tem obesidade. A situação é amplamente agravada quando sabe-se que uma criança consome muito mais do que gasta diariamente. Assim sendo, o quadro de obesidade origina-se, podendo ocasionar doenças como a hipertensão, diabetes, insônia e colesterol alto.

Ademais, é válido destacar que a esfera social ao qual a criança está inserida influencia de forma ampla seus hábitos alimentares. À guisa do sociólogo alemão Karl Marx, “O homem é, em sua essência, produto do meio”. Desse modo, se o meio em que o indivíduo estiver naturalizado for um ambiente obesogênico, logo, sua perpetuação será efetivada. Assim sendo, é necessário que os pais responsabilizem-se sobre o que seus filhos consomem, inserindo uma dieta saudável e que seja seguida por todos da família, pois por meio do exemplo parental a criança estará propensa a seguir os hábitos de seus pais e  evitar o quadro de obesidade, além de doenças psicológicas que muitas vezes acompanham o problema como a ansiedade e a depressão.

Portanto, torna-se clarividente a necessidade de mudanças na conjuntura fatual. As escolas do país em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria devem promover debates e palestras com as famílias dos alunos duas vezes ao mês. Tais medidas seriam efetivados sob o fito de propiciar uma consciência crítica sobre o que os responsáveis estão deixando suas crianças comerem para que, assim, possam reeducar o paladar de seus filhos. Não obstante, o Ministério da Educação deve tornar obrigatório a prática de torneios esportivos escolares que ocorram uma vez por mês. Torneios esses que incentivariam a participação dos discentes para que seja promovido o gosto por atividades físicas desde a tenra idade. Dessa forma, o produto do meio afirmado por Karl Marx será saudável e evitará o quadro de obesidade a longo prazo.