Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 10/07/2018

Segundo a Organização Mundial da Saúde, um terço das crianças brasileiras sofrem de obesidade. Evidencia-se, portanto, a eminência de um grave problema de Saúde Pública, pois essas crianças tenderão a uma vida adulta doente e abreviada. Além disso, a existência de uma indústria alimentícia sedutora, tóxica e das tecnologias que enclausuram e sedentarizam adolescentes e crianças figuram como desafios significativos para o combate dessa problemática.

Em primeira análise, historicamente o homem foi programado geneticamente para estocar gordura e energia, por meio da ingestão da maior quantidade possível de alimentos. No entanto, esse legado genético ainda influência o comportamento humano, o que deixa as crianças vulneráveis diante da falta de maturidade para fazer escolhas mais conscientes. Com isso, elas são um alvo fácil para a indústria alimentícia, afinal, ao engendrar maus hábitos alimentares ainda na infância, eles poderão acompanhar esses indivíduos também na vida adulta, o que foi confirmado pelo especialista João Regis, da Fiocruz, ao dizer que a chance desse mal se instalar definitivamente sobe em 15 vezes. Logo, o uso da publicidade pela indústria, com brindes que chamam a atenção das crianças, é uma estratégia nociva para aliciá-las ao consumo de alimentos ultra-processados, ricos em açucar e, por vezes, viciantes.

Outro fator adensador da obesidade em crianças é o sedentarismo acentuado pelas tecnologias. Portanto, o fato de 82% das crianças e adolescentes estarem conectadas, segundo a Agência Brasil, pode estar associado ao desenvolvimento de um sedentarismo, pois o antigo hábito dos jovens de se socializarem nos parques, nas ruas tem sido substituído por jogos eletrônicos e pela interação digital. Além disso, a falta de segurança desestimula os pais a permitirem que seus filhos saiam de casa, o que condena-os, desse modo, a um ambiente de clausura, no qual ao aliar má alimentação e sedentarismo, geram a receita perfeita para a obesidade.

Destacam-se, por conseguinte, sérios desafios para o combate da obesidade infantil, problema grave que pode desencadear distúrbios como diabetes e hipertensão. A fim de afastar das prateleiras alimentos nocivos que agradam as crianças, o Governo Federal deve desestimular sua produção por meio de um levantamento nutricional do que é vendido, com ação da Anvisa, e da imposição de taxas exorbitantes sobre os produtos considerados maléficos por conterem índices insalubres de glicose, sal e acidulantes, por exemplo. Dessa forma, ou as empresas tornarão seus produtos mais saudáveis ou perderão mercado. Além disso, a família deve desestimular o sedentarismo infantil por meio do exemplo, ou seja, aposentando um pouco o “smartphone” e praticando atividades externas de forma a contribuir para o bem-estar físico e afetivo dos rebentos.