Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 09/07/2018

Na célebre obra “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, Augustus - uma criança acima do peso - perde um desafio para o dono da fábrica por não controlar seus impulsos em comer exageradamente. Apesar de tratar-se de uma ficção, pode-se fazer uma analogia de tal cena à problemática da obesidade infantil no Brasil, a qual possui a publicidade e a negligência familiar em educação alimentar como suas principais percussoras. Nesse ínterim, convém a análise da prevalência de tais condutas para a vida das crianças e sua contribuição para a paralisia do desenvolvimento social de tal público.

Em primeira análise, é notório que a obesidade é um problema de saúde pública no Brasil, principalmente quando compreende grupos que antes não encaixavam-se nessa categoria, como o público infantil. No entanto, o exacerbado número de crianças obesas pode ser justificado pela  constante ascendência da mídia, a qual é procurada pelas grandes empresas de fast-food - devido ao seu elevado poder convincente - para lucrar em suas propagandas destinadas, em grande parte, ao público infantil, do qual o senso crítico, normalmente, é falho. Ademais, as propagandas destinadas a tal público para a venda de comidas são normalmente apelativas e com uso de linguagem altamente persuasiva.

Outrossim, devido aos hábitos corriqueiros, grande parte das famílias negligenciam a importância do seu papel no processo educacional da saúde alimentar de seus filhos e desconhecem a relevância de hábitos saudáveis, os quais comprovam a teoria Kantiniana, de que os homens são frutos da educação que recebem. Não obstante, consequentemente, a soma da publicidade destinada ao público infantil à displicência das famílias, prejudicam o desenvolvimento social desse grupo, porque além de apresentarem problemas futuros de saúde, as crianças acima do peso sentem-se inseguras e impotentes em situações de brincadeiras e confortos, podendo apresentar, adiante, doenças de cunho mental, como a depressão.

De acordo com Thomas Hobbes, a intervenção estatal é necessária como forma de proteção dos cidadãos de maneira eficaz, principalmente quando trata-se da saúde infantil no Brasil. Desse modo, o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, deve promover palestras em escolas públicas e privadas que retratem a importância da alimentação adequada para uma vida saudável. Isso poderá ser feito pelo contato direto entre agentes de saúde e alunos e com o uso de linguagem de fácil compreensão nos diálogos entre eles, com o intuito de encorajar as crianças a colocarem em prática os conhecimentos obtidos e frutificar o senso crítico acerca das propagandas televisivas. Desse modo, o elevado número de crianças no Brasil poderá ser reduzido.