Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 23/07/2018

No atual contexto social brasileiro, é progressivamente destacável a situação preocupante de crianças e de adolescentes que encontram-se em condição de sobrepeso. De acordo com dados do IBGE, essa realidade presente em todo o território nacional atinge cerca de 33% da população infantil, fato esse que atesta a necessidade de uma atuação conjunta mais expressiva da sociedade civil e do pode poder público a fim de minorar esse quadro social e, portanto, suas consequências.

De fato, maus hábitos alimentares, que se iniciam desde cedo, vêm adquirindo notoriedade no Brasil. Precocemente, crianças são cada vez mais impelidas a consumirem mais calorias que o necessário; seja em decorrência da falta de responsabilidade dos pais, que, muitas vezes, não impõem limites ao consumo, seja pela falta de estímulo a bons hábitos alimentares. Soma-se a isso, ainda, um maior tempo gasto por parte dos menores em frente a computadores, televisões e aparelhos eletrônicos em geral, que, além de diminuírem a prática de exercícios físicos, os tornam susceptíveis a sofrerem consequências do marketing consumista, uma vez que possuem pouco discernimento crítico. Além disso, salienta-se a existência de ambientes escolares despreparados, que ora são convenientes com o desenvolvimento da obesidade infantil, por não estabeleceram a existência de uma cantina saudável, ora abstêm-se da função primordial de educar as crianças em relação a essa questão. Assim, essas circunstâncias em conjunto contribuem para o agravamento do sobrepeso infantil e, consequentemente, para o surgimento de várias doenças graves associadas a ele, como diabetes e hipertensão.

Ademais, mostra-se relevante a escassez de medidas governamentais voltadas para a redução da obesidade infantil, como a ausência de leis específicas que visem a barrar a venda de ultraprocessados não saudáveis em escolas, assim como a inexistência de nutricionistas em escolas públicas que garantam uma merenda equilibrada. Nesse contexto, o desenvolvimento de crianças sem uma preocupação alimentar inevitavelmente se reproduzirá na vida adulta com diversas consequências, entre elas, um maior gasto com a saúde pública.

Portanto, a fim de modificar o atual quadro de obesidade das crianças, urge que os pais fomentem uma mudança no comportamento alimentar delas, utilizando-se, para isso, de bons exemplos e de diálogos que evidenciam a importância de tal ação, além de estimular a prática de atividades físicas. Outrossim, o Estado deve promover campanhas educativas voltadas às famílias, por meio da imprensa, que mostrem a relevância de uma dieta saudável, e, também,  estabelecer uma legislação que procure fornecer maior suporte às escolas em relação a tal questão, permitindo, por exemplo, o suporte de nutricionistas nesses locais e diretrizes escolares que visem a discutir uma mudança alimentar já na infância.