Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 02/08/2018

Segundo a Constituição Federal de 1988, no seu artigo 196, é dever do Estado garantir o acesso à saúde, bem como é responsável pelas medidas públicas para zelar pelo bem-estar físico de todos os cidadãos brasileiros. Assim, faz-se necessário que o poder público atente-se para a obesidade infantil enquanto situação que põe em risco a saúde de milhares de crianças do país. Dessa maneira, encontrar caminhos para combater a obesidade infantil, no Brasil, é um desafio que precisa ser enfrentado pela sociedade civil e pelo Estado.

Primordialmente, ressalta-se que, no ranking mundial da obesidade infantil, o Brasil ocupa o 5º lugar. Comprova-se isso, porque, em 2016, o número de crianças obesas cresceu 14% em relação ao ano de 2009, devido à propaganda alimentar que estimula os pequenos a ter uma má alimentação, oriunda do consumo exagerado de alimentos ultraprocessados - principalmente refrigerantes e salgadinhos - sem valor nutricional, segundo pesquisa da UERJ. À vista disso, destaca-se o documentário “Muito Além do Peso”, em que expõe como campanhas das empresas de “fast food” se aproveitam da vulnerabilidade de indivíduos em fase de desenvolvimento para incentivar o consumo, de modo que estão associadas ao crescimento da obesidade infantil. No Brasil, apesar da proibição desse tipo publicidade estar prevista no ECA, a falta de regras específicas para alimentos dificulta a efetivação da lei.

Outrossim, é fundamental destacar que o uso de celulares e videogames pelas crianças acarretam no sedentarismo, uma vez que por causa desses objetos as crianças tornam-se fisicamente inativas no ambiente familiar. Além do mais, conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e pensar. Ao seguir essa linha de pensamento, verifica-se que que a questão da obesidade infantil se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que se uma criança está inserida em um ambiente no qual os pais não têm o hábito de se alimentar bem e nem de se exercitar, elas tendem a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Logo, dificultando demasiadamente o combate à obesidade em crianças.

Por tudo isso, faz-se necessária a intervenção civil e estatal. O Estado, nesse contexto, carece de fomentar práticas públicas, tal como a fiscalização da publicidade alimentar destinada ao público infantil por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente, a fim de que seja tirada do ar toda e qualquer propaganda que incentive as crianças a se alimentarem mal. É imperativo, ainda, que a população em parceria com as escolas e postos de saúde, promovam eventos e seminários, através de campanhas de caráter popular, para que endocrinologistas, nutricionistas e educadores físicos orientem os civis, sobre alimentação saudável e atividades físicas, de modo a extinguir a obesidade das crianças e respeitar a Carta Magna.