Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 29/10/2018

Após a Revolução Industrial, a racionalização e a mecanização do trabalho levou a uma produção em massa e, através do capitalismo, o barateamento dos custos, houve um aumento do consumismo, os hábitos alimentares se intensificaram e o aumento de peso deixou de ser sinônimo de saúde- já que, desde a Idade Média, crianças subnutridas eram consideradas vulneráveis à doenças. O crescimento do sobrepeso é resultado da falta de conscientização das pessoas em consonância com a ausência de orientação alimentar e seus desejos supridos e bem estudados pela engenharia alimentícia.

É indubitável que a saúde pública está diretamente ligada ao assunto. Segundo a BBC Brasil, a alfabetização do paladar é uma das coisas mais importantes a se ensinar às crianças em seu primeiros três anos, porém, dependendo dos hábitos realizados pela mãe ainda na gravidez, a criança tem 80% de chances de ter sobrepeso desde o nascimento. De maneira análoga, o desleixo relacionado a alimentação, mesmo que tratada durante um tempo, influencia totalmente no futuro das crianças podendo, futuramente, ter influência em terceiros.

Outrossim, essa não é a unica causa do problema. Conforme o crescimento da criança, os problemas de saúde e psicológicos vão se agravando, como a baixa auto-estima e infecções respiratórias. Desse modo, o alimento passa a ser usado não só para suprir necessidades biológicas como também servem de respostas para tensões emocionais e, sendo uma doença crônica, as dificuldades para reverter esse quadro se tornam maiores.

Ao seguir essa linha de raciocínio e sabendo que, uma em cada três crianças brasileiras entre 5 e 9 anos de idade está com excesso de peso, e 8,4% dos adolescentes são obesos, segundo dados do Ministério da Saúde. É possível entender que esse é um problema que deve ser cuidado desde a gestação, porém através desses dados conclui-se que, apesar de fazer parte da Constituição de 1988 os direitos sociais a saúde e proteção à maternidade e à infância, o estado age com uma certa ineficiência ao tratar dessa causa e desse assunto.

Destartes, os desafios do combate à obesidade infantil na contemporaneidade são frutos da despreocupação e da ausência do poder público. Assim, o estado, a fim de atenuar o problema deve engendrar leis objetivando estimular os meios de comunicação em massa a reproduzirem propagandas pregando a importância de uma alimentação saudável em crianças desde a sua gestação. Ademais, urge que, o Ministério da Saúde, passe a investir em um acompanhamento nutricional gratuito para gestantes, crianças e adolescentes com o objetivo de melhorar seus hábitos alimentares e, consequentemente, formarem uma população futura mais saudável.