Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 17/08/2018

O escritor austríaco Stefan Zweig, ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa a deficiência de medidas na luta contra a obesidade infantil no Brasil, hodiernamente, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, torna-se evidente os maus hábitos alimentos dos brasileiros e a falta de exercícios físicos, bem como a necessidade de uma ação conjunta do governo com o corpo social para resolver essa inércial problemática.

Mormente, é indubitável que os hábitos alimentares e o sedentarismo estejam entre as causas do problema. Após a Terceira Revolução Industrial, a ingestão de alimentos industrializados se tornou inerente a cultura alimentar brasileira. Por conseguinte, as crianças consumem, por autoria dos pais, esses produtos que possuem baixo valor nutricional e alto valor calórico, levando-as ao aumento de peso e a vulnerabilidade ao desenvolvimento de diversas doenças. Assim, somando-se ainda ao baixo incentivo a realização de atividades físicas, principalmente nas escolas, e ao advento da internet e da TV, nos quais muitas crianças e adolescentes utilizam como meios de diversão, em detrimento de meios de lazer esportivos, o sedentarismo infantil se fortifica e o número de obesos tende a aumentar.

Outrossim, consoante a lei Newtoniana da Inércia, um corpo tende a permanecer em seu estado até que uma força atue sobre ele. Nesse interim, até que se explicite a população e ao Poder Público a relevância de se discutir a temática sem estigmas nos mais diversos âmbitos sociais, a questão permanecerá inerte. Dessa forma, ações conjuntas em busca de uma reeducação alimentar e de incentivos à atividades físicas precisam ser postas em prática no país, para que o número de casos de obesidade infantil se reduza — segundo dados do Ministério da Saúde, 33% das crianças está com excesso de peso, e 8,4% dos adolescentes são obesos.

Urge, portanto, que indivíduos e instituições cooperem para mitigar o impasse. Destarte, o Ministério da Educação deve implementar nas escolas aulas e palestras, ministradas por nutricionistas, que orientem os alunos a importância de uma alimentação saudável e balanceada, além de promover  a educação física de forma eficiente, por meio de gincanas e prática de esportes, para que se extermine a obesidade no meio infantil. Ademais, o Ministério das Comunicações deve veicular propagandas de cunho educativo que incentivem e demonstrem aos pais, formas saudáveis de alimentar seus filhos, com o fito de que se modifique a cultura alimentar brasileira. Assim, talvez, a inércial exposta saia do seu repouso e a profecia de Zweig torne-se realidade.