Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 15/08/2018

“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para as crianças obesas que, diante da praticidade de preparo de alimentos não saudáveis, apenas vivem, não necessariamente bem. Com isso, ao invés de tentar aproximar a realidade descrita por Platão da vivenciada por estes indivíduos, a sociedade e a família contribuem com a situação.

Lançado em 2013, o seriado britânico “My Mad Fat Diary” relata a dificuldade vivida por Rae, uma garota obesa que sofre com problemas por não se encaixar no “tipo corpóreo ideal” da sociedade. A infância não é um período fácil na convivência em sociedade de crianças acima do peso que, quase sempre, são alvos de discriminações e “bullying”. Em decorrência disso, estes indivíduos podem vir à apresentar uma demasiada preocupação com relação à aparência física. Por consequência, essas agressões também estimulam, indubitavelmente, problemas, tais como, insegurança e a baixa autoestima em crianças com sobrepeso. Desse modo, a sociedade acaba contribuindo para o distanciamento da realidade descrita por Platão da vivenciada por crianças obesas.

Ademais, de acordo com uma pesquisa realizada pelo IBGE, uma em cada três crianças brasileiras com idade entre cinco e nove anos estão com o peso acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Isso porque, hodiernamente, é comum mães e pais, por falta de tempo, estarem ausentes nesta fase de extrema importância para a saúde da criança. Por conseguinte, na sociedade hipercapitalista que vivemos, o desejo insaciável de obtenção do máximo lucro monetário faz com que muitos pais acabem passando mais tempo trabalhando do que tendo atividades familiares com seus filhos. Em decorrência deste distanciamento, as crianças, sem nenhuma instrução, adotam um comportamento alimentar não saudável, e se alimentam de comidas mais rápidas e mais calóricas, assim, consequentemente, se tornam obesas.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de uma tomada de medidas para aproximação das duas realidades. Em razão disso, o Ministério da Saúde deve, a fim de buscar a conscientização, disseminar, nos meios de comunicação, propagandas que mostrem aos pais as consequências que uma má alimentação pode causar nos filhos. Outrossim, o Ministério da Educação, em parceria com nutricionistas e psicólogos, deve realizar palestras em escolas, a fim de educar pais e filhos, que abordarão aspectos alimentares e nutricionais mostrando a importância de manter uma alimentação saudável e nutritiva. Dessa forma, a realidade descrita por Platão será aproximada da realidade das crianças obesas.