Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 16/08/2018
Ao decorrer das revoluções industriais, uma série de aspectos sociais passaram a ser impactados. Denota-se que o tempo tornou-se escasso, desse modo, elementos como a alimentação requereram ser compactados para obedecer ao sistema. Assim sendo, observou-se a realocação da nutrição e da saúde para planos secundários, inclusive na fase infantil. Nesse sentido, caracteriza-se a obesidade entre as crianças como resultante do abrasivo capitalismo, que, através de estratégias, desencadeia o consumo excessivo e a alienação tecnológica.
É preciso considerar, primeiramente, a interferência midiática no consumo infantil. Adorno e Horkheimer defenderam o conceito de “Indústria Cultural”, sendo ela um mecanismo capaz de moldar hábitos e costumes. Sabe-se, hoje, que as propagandas tornaram-se intrínsecas às vidas das crianças, assim, a veiculação de propagandas relacionadas aos mantimentos industrializados estimulam no público infantil o desejo de consumo, desse modo, vê-se a substituição gradativa da ingestão de alimentos saudáveis por “fast foods”. Assim, cada vez mais o consumo de nutrientes essenciais perdem espaço para gorduras e açúcares, que, em consonância, contribuem para o aparecimento de doenças relacionadas à obesidade, sendo mais recorrentes: hipertensão, diabetes mellitus e colesterol alto.
Sabe-se, também, que a substituição da prática de exercícios físicos pelo uso excessivo de tecnologias tem-se mostrado comum na idade infantil. A medida com que se deu o desenvolvimento tecnológico, houve também o progresso do sedentarismo, tendo em vista que, contemporaneamente, a prática de atividades física e esportivas tornaram-se ínfimas dentre o público infantil. Ademais, nos últimos anos, houve elevação no número de crianças obesas – segundo o Organização Mundial da Saúde, uma a cada cinco crianças no Brasil mostram-se presentes em um quadro de obesidade. Destarte, nota-se que a inserção brusca da tecnologia transfigurou a realidade infantil para o mundo virtual, cujo impossibilita a prática de atividades que visam benefícios mentais e corpóreos.
Infere-se, portanto, que é de suma importância uma alteração nos atuais hábitos infantis. É papel dos integrantes do Congresso Nacional a criação de uma lei que sobretaxe alimentos industrializados e promova um arrocho de impostos sobre leguminas e hortaliças. Essa medida visa incentivar o consumo de produtos benéficos e potencializar a qualidade de vida das crianças. Outrossim, é imperativo que o terceiro setor – as ONGs – promova campanhas nas cidades com o intuito de conscientização, para isso, deve evidenciar os riscos desencadeados pela má alimentação e pela ausência de atividades física aos pais dos menores. Após a adoção dessas medidas, será possível o estabelecimento de um ideal que preze pela saúde infantil e a faça estar além modelo econômico.