Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 17/08/2018
De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a sociedade contemporânea é caracterizada como um conjunto de aceleradas e fluidas relações sociais. Com o intuito de acompanhar esse ritmo moderno, a alimentação passou a ser negligenciada, fazendo com que a obesidade se tornasse um grave problema de saúde pública, acometendo, principalmente, as crianças. Com isso, surge a problemática dos efeitos da obesidade que persistem intrinsecamente ligados à realidade do país, seja pela ausência de uma cultura de educação alimentar, seja pela ineficiência das leis de proteção ao consumidor.
É importante analisar, antes de tudo, a inexistência de uma cultura de educação alimentar e nutricional no país. Segundo Kant, o ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele. As escolas brasileiras, entretanto, negligenciam a saúde dos estudantes ao não instruí-los sobre os riscos da obesidade e as formas de preveni-la. Como reflexo de uma população ignorante frente aos hábitos alimentares ideais, segundo o Ministério da Saúde, uma em cada três crianças brasileiras entre 5 e 9 anos de idade está com sobrepeso, evidenciando, assim, a urgência na reeducação alimentar dos cidadãos, voltada para a priorização da saúde em detrimento do prazer momentâneo.
Ademais, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. De acordo com Marx, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, as empresas alimentícias beneficiam-se da ineficiência de leis acerca da limitação do comércio de ultraprocessados, vinculando a imagem dos seus produtos à ilusória ideia de felicidade, induzindo, assim, a uma alimentação irregular, principalmente do público infantil. Diante disso, pode-se inferir que somente haverá efetiva mudança nesse cenário mediante a existência de políticas públicas que façam da alimentação um alicerce para a saúde.
Torna-se evidente, portanto, a existência de uma refeição nada regular e a necessidade de se tratar tal dificuldade. Em um contexto de reeducação alimentar, a escola tem um papel fundamental, com palestras de nutricionistas e aulas de gastronomia, a fim de começar a tratar o problema desde a base, com conscientização. Cabe à mídia veicular, em parceria com o Ministério da Saúde, campanhas para estimular a alimentação saudável e a prática de exercícios físicos. Além disso, o Governo deve realizar investimentos na merenda escolar, adaptando o cardápio à cultura e hábitos alimentares locais, bem como fomentar a fiscalização das propagandas alimentícias, a fim de minimizar a influência da indústria alimentícia sobre o público infantil. Só assim, será possível enxergar a alimentação, de fato, como um ingrediente nas transformações de que a liquidez atual precisa.