Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 17/08/2018
A obesidade infantil, no Brasil, tem sido um tema preocupante. O alto índice de doenças cardiovasculares e respiratórias, a supervalorização de produtos industrializados e a publicidade destinada às crianças são fatores que ilustram esse regresso contínuo. Segundo a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir saúde aos cidadãos. Contudo, com a intensa transformação das práticas alimentares e dos valores nutricionais, esse governo tem enfrentado dificuldades para assegurar uma boa qualidade de vida aos brasileiros. Assim, torna-se necessária a adoção de novas medidas que atenuem a questão.
Durante a década de 40, o estadunidense Percy Spencer descobriu o microondas. Anos depois, com a popularização do eletrodoméstico, os hábitos alimentares foram adequados ao produto, como os alimentos congelados e de preparo instantâneo. Essa mudança, associada à vida moderna, à falta de tempo e à constante procura por praticidade, inovou a indústria alimentícia, que traz muitas vezes para a mesa das crianças uma dieta regada à corantes, gorduras e sódio. Dessa forma, o acúmulo de células adiposas (adipócitos) aumenta o risco de entupimento das artérias, dificultando o desempenho adequado do coração, e, possivelmente, facilitando doenças cardiovasculares, como a hipertensão.
Outro fator que impulsiona a doença é a publicidade infantil. Nos programas de televisão, além de vídeos e sites visitados pelas crianças, a maior parte dos produtos oferecidos são industrializados, como salgadinhos e refrigerantes. As embalagens coloridas e chamativas, complementadas pelos personagens infantis, criam um vínculo à criançada e dão motor para o consumo desenfreado desses alimentos. Além disso, constantemente em supermercados os alimentos naturais ocupam menos espaço, apresentam um preço elevado e menor destaque que os produtos industrializados, o que dificulta a refeição orgânica.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar o impasse. O Ministério da Saúde, deve efetivar a elevação de impostos sobre produtos com alto teor de açúcar e sódio, assim como a restrição de alimentos industrializados nas escolas, para incentivar a compra de produtos orgânicos e consequentemente a demanda dos mesmos. Necessita também, diminuir o tempo da publicidade infantojuvenil nos meios de comunicação e substituí-las, através de um mascote, por propagandas educativas lúdicas a respeito de uma alimentação saudável, para que as crianças se identifiquem e sejam estimuladas. Assim, há de se reduzir a obesidade infantil em solo nacional.