Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 20/08/2018
Outrora falta, hoje demasia: a arte no cotidiano.
Em 1944, Candido Portinari apresentou a tela “Retirantes”, demonstrando uma realidade da região Nordeste do Brasil, marcada por seca e fome. Entretanto, no século seguinte, artes – como a do Fernando Botero “Children Fortunes” – evidenciam uma nova problemática: a do excesso. Nesse contexto, é notório que milhares de crianças e adolescentes têm problemas relacionados ao peso, sendo causados ora por ausência de orientação, ora devido à publicidade.
A priori, a educação alimentar e a conscientização da sociedade são os principais fatores no combate à obesidade infantil. De maneira análoga ao pensamento do ativista Nelson Mandela, a educação é valiosa para mudar o mundo, dessa forma, a escola pode assumir um importante papel na formação nutricional de milhares de crianças, ensinando não só a consumir alimentos mais saudáveis , mas também a praticar exercícios físicos.
A posteriori, a publicidade influência para a perpetuação da problemática.
Com o objetivo de promover um evento para empresas do setor alimentício, um grupo organizou um evento com o influenciador Felipe Neto intitulado “Lugar de criança é no supermercado”, trazendo estratégias de venda de alimentos ultra-processados para o público infantil. Logo, é visível que a preocupação em apenas lucrar, utilizando o pensamento de Karl Marx, ultrapassa os valores éticos e morais.
Portanto, visando combater a obesidade infanto-juvenil eliminando os fatores que a motivam, urge ao Poder Executivo, por meio do Ministério da Educação, promover incentivos financeiros com destino a nutricionistas, estes para que, com certa regularidade, frequentem o ambiente escolar e conscientize os alunos e seus responsáveis sobre a alimentação saudável. Ademais, publicidades, no entendimento do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), com cunho persuasivo para o público infantil já são proibidas, no entanto, faz-se necessária sua fiscalização rigorosa. Desse modo, crianças terão, na arte, um papel sem excessos ou ausências.