Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 22/08/2018
Consoante ao poeta Cazuza, “Eu vejo o futuro repetir o passado”, a obesidade infantil no país não é um problema atual. Desde a Revolução Industrial e Tecnológica essa vicissitude é uma realidade. De mesmo modo, na contemporaneidade, as dificuldades persistem, seja pelo excessivo consumismo de alimentos industriais ou por hábitos tradicionais de sedentarismo.
É indubitável que o alto consumo oriundo da Revolução Industrial mudou o pensamento e as ações do brasileiro. No final do século XIX e começo do século XX, os ricos cafeicultores de São Paulo começaram a investir no setor industrial, nesta fase se destacavam a produção de tecidos e, essencialmente, o processamento de alimentos. Esta última, por sua vez, cresceu tanto que passou a concentrar-se nos centros urbanos do país, contribuindo para que o consumo de alimentos processados e rápidos aumentasse. De maneira análoga as crianças que, recebendo influências da família e da escola, acabam ingerindo esses alimentos diariamente, tornando-as viciadas no consumo de produtos, essencialmente, mecanizados.
Outrossim, cabe salientar que o hábito sedentário do brasileiro é um dos elementos principais para a persistência da problemática. Conforme um estudo realizado pela Nestlé junto com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), cerca de 33,5% das crianças, na faixa entre 4 e 12 anos, consomem mais do que o recomendado nas refeições diárias; também mostrou que na faixa de 10 a 14 anos, 45% delas são sedentárias. Logo, é indiscutível que a falta de atividades físicas regulares e o uso excessivo de aparelhos tecnológicos favorecem o problema.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Caberá ao Ministério da Saúde, juntamente com o pode legislativo, através de acordos com as indústrias e o governo federal, crie leis de taxação para alimentos altamente industrializados e com alto teor de gordura, devendo se destacar os que o público infantil mais consome. Não obstante, o governo, em parceria com o Ministério da Educação, promova projetos educacionais visando a importância de atividades físicas nas escolas e no cotidiano, através de uma ampla divulgação midiática, que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre professores e alunos. Nesse sentido, o intuito de tais medidas deve ser o diagnóstico das carências de cada ambiente escolar e a erradicação da obesidade infantil. Assim, uma ação iniciada no presente, é capaz de modificar o futuro de toda a sociedade brasileira.