Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 23/08/2018
A obesidade infantil, no Brasil, tem sido um tema preocupante. O aumento de doenças cardiovasculares e respiratórias na população mais jovem, a supervalorização de produtos industrializados que afetam a saúde física e mental, e a publicidade destinada às crianças que estimulam a má alimentação são exemplos ilustradores desse regresso contínuo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2022 o número de crianças obesas no planeta deve ultrapassar as que se se situarem abaixo do peso. Assim, torna-se necessária a adoção de novas medidas que atenuem a questão.
Por meio da Terceira revolução Industrial, em meados do século XX, e através da criação do microondas pelo estadunidense Percy Spencer, o estilo de vida da sociedade foi reprogramado para atender ao modo de produção, pautado na rapidez e praticidade, através de produtos congelados e de preparo instantâneo. Essa mudança nos hábitos alimentares, associados à vida moderna, provocou transformações nas refeições escolares, que muitas vezes oferecem para os menores salgados fritos, refrigerantes e diversos alimentos regados à corantes, gorduras e sódio. Dessa forma, essa dieta não balanceada influencia no crescimento, desenvolvimento e bem estar das crianças, além de prejudicar o futuro das mesmas, já que uma criança obesa tem chances maiores de desenvolver doenças provenientes da obesidade quando adulta, como a hipertensão e o entupimento das artérias.
Outro fator que impulsiona a doença é a publicidade infantil. Nos programas de televisão, além de vídeos e sites visitados pelas crianças, a maior parte dos produtos oferecidos são industrializados, como salgadinhos e biscoitos recheados. As embalagens coloridas e chamativas, complementadas pelos personagens infantis, criam um vínculo à criançada e dão motor para o consumo desenfreado desses alimentos. Segundo a Universidade de Dartmouth, nos Estados Unidos, a presença de cores e brinquedos associados à marca, faz com que, em dois terços do tempo, as crianças não lembrem de comida saudável, o que dificulta ainda mais a motivação por refeições orgânicas.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar o impasse. O Ministério da Saúde, deve efetivar a elevação de impostos sobre produtos com alto teor de açúcar e sódio, assim como a implantação de leis para a restrição de alimentos industrializados nas escolas, realizando um cardápio elaborado por nutricionistas com opções saudáveis. Necessita também, diminuir o tempo da publicidade infantojuvenil com a criação de cotas diárias para a exibição desses programas, além de substituí-los, através de um mascote, por propagandas educativas lúdicas a respeito de uma alimentação saudável, para que as crianças se identifiquem e sejam estimuladas. Assim, há de se reduzir a obesidade infantil em solo nacional.