Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 23/08/2018

No Brasil, hodiernamente, de acordo com o Ministério da Saúde, em torno de 20% dos infantes apresentam sobrepeso ou obesidade. Esse panorama é preocupante, haja vista que a obesidade na infância tende a continuar para a idade adulta, podendo gerar, desta sorte, uma variedade de problemas para a saúde, a saber: colesterol alto, diabetes, acidentes vasculares, etc. Diante dessa contenda, deve-se analisar os fatos que podem estar correlacionados aos crescentes números de ganho de peso entre as crianças para saber como enfrentá-los.

Primeiramente, o modelo de vida atual das sociedades modernas, cujo o tempo passou a ser mais escasso, favorece a ingestão de alimentos que possam ter preparos mais rápidos, e muitas vezes, associados a altos valores calóricos. Para ilustrar a situação basta avaliar o significado da palavra “fast-food”, que é comida rápida. A inserção dessa modalidade de alimentação cresce cada vez mais, movimentando em torno de 50 bilhões de reais anualmente no Brasil, segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA). Ao mesmo tempo, estudos do Ministério da Saúde apontam que frutas e hortaliças, gêneros que remetem a uma dieta saudável, não figuram nem entre os vinte alimentos mais consumidos entre as crianças. Havendo, desta maneira, uma inversão naquilo que deveria ser prioridade para uma alimentação equilibrada e balanceada.

Outro aspecto a ser abordado é a cultura de comer o que é considerado mais gostoso. Não há nenhum contratempo em ingerir alimentos saborosos, todavia o problema surge quando o conceito de sabor passa a estar relacionado a produtos ricos em gordura, açúcares e sais. Embora exista uma ampla variedade de produtos com essas características ofertados pela indústria alimentícia, não há esclarecimento suficiente para os pais dos verdadeiros malefícios que os referidos produtos podem causar a saúde. Se os adultos podem não compreender plenamente, quanto mais as crianças, que não possuem maturidade suficiente para entender a complexidade da questão.

Em virtude dos fatos mencionados, é imperativo que o Ministério da Educação insira matéria referente à nutrição na grade curricular do ensino fundamental e médio para que de forma lúdica demonstre a necessidade de uma alimentação equilibrada e os malefícios de gêneros alimentícios que favorecem à obesidade. Além disso, o Ministério da Saúde e a ANVISA devem formular lei que exija a apresentação de dados sobre os quantitativos de gordura e açúcares, tal como já é feito em relação ao sódio, para que seja possível uma maior informação dos adultos na hora da seleção dos gêneros a serem escolhidos. Assim, aumentando a informação e a edução sobre aquilo que se come, poder-se-á evitar o aumento em quilos na balança.