Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 12/10/2019

O filósofo alemão Hegel, no século XIX, propõe uma analogia cujo teor auxilia a pensar nas questões sociais que envolvem o curso da história: “a coruja de minerva só voa ao anoitecer”. Nesse sentido, sua proposição revela que é preciso um decorrer de tempo a fim de que o Homem alcance sabedoria para lidar com suas questões desafiadoras. Tendo isso em vista, pode-se perceber que, na contemporaneidade, os desafios do combate à obesidade infantil acentuam-se devido a forte presença de aparelhos tecnológicos no cotidiano dos infantes, assim como o intenso consumo de comidas industrializadas. Destarte, é fundamental analisar as razões que fazem dessa problemática uma realidade no Brasil contemporâneo

De fato, a Terceira Revolução Industrial trouxe uma série de importantes benefícios para a sociedade mundial. No entanto, podem-se perceber uma crescente dependência por aparelhos tecnológicos pela parcela infantil da população, haja vista que passam horas na frente da televisão ou computador, negligenciando o mínimo esforço físico cotidiano, cuja consequência reflete-se no surgimento de doenças cardiovasculares precoces. A exemplo do exposto, é cabível pontuar dados coletados pela Organização Mundial da Saúde, em 2013, no qual consta que cerca de 10% das crianças apresentam diabetes tipo um. Nesse sentido, a fiscalização que cabe aos responsáveis infantis se apresenta de forma parca, corroborando para o aumento do índice de mortalidade infantil hodierno.

Além disso, pode-se relacionar fatores histórico-familiares nos casos de obesidade infantil. Segundo Émile Durkheim, o fato social consiste na maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, é possível associar os hábitos alimentares dos responsáveis refletidos no cotidiano das crianças, uma vez que os pais apresentam-se como modelos para as ações dos filhos, que tendem a adotar o modo de vida vivenciado em grupo. Assim, a presença intrínseca do hábito familiar diante da opção alimentar rica em gorduras e carboidratos funciona como forte base para a permanência dos elevados índices de obesidade precoce.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o casos de obesidade infantil no Brasil. Para isso, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio de verbas governamentais, campanhas em redes sociais e emissoras abertas de televisão, destinadas aos responsáveis, que alertem acerca dos riscos da obesidade infantil, trazendo médicos que auxiliem os pais a buscar ajuda e a como  minimizar a dependência tecnológica observada hodiernamente. Outrossim, cabe as escolas realizar mais atividades físicas aos alunos, a fim de amenizar os impactos causados pelo sedentarismo. Somente desse modo, o Brasil será capaz de alcançar o voo proposto por Hegel.