Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 27/08/2018

Por uma infância mais saudável

De acordo com o artigo 4 do Estatuto da Criança e do Adolescente, é dever da família e do poder público assegurar a efetivação dos direitos à saúde e ao bem-estar a toda criança e adolescente. No entanto, após quase 30 anos da criação desse documento de proteção a infância, a nação brasileira não cumpre com as diretrizes estabelecidas, uma vez que a obesidade infantil ainda persiste no país. Logo, coletividade e poder público devem unir forças com vistas a combater esse problema social.

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a rapidez é a maior marca dos indivíduos pós-modernos. Nessa perspectiva, movidos pela correria do dia a dia, pais e responsáveis acabam por negligenciar a alimentação dos seus filhos, substituindo, não raramente, o prato de arroz e feijão, por “fast-foods”, comidas rápidas, ricas em gorduras e pobres em nutrientes. Nesse contexto, o desenvolvimento da obesidade é facilitado, posto que a má alimentação é fator crucial para esse problema que tanto atinge a fase infanto-juvenil. Assim, é fundamental que as famílias brasileiras estejam atentas para a alimentação nos lares, posto que a obesidade infantil, não somente propicia doenças e acarreta dificuldades de aceitação social, mas também forma adultos obesos.

Vale ressaltar, também, o artigo 196 da Constituição de 1988, que diz que é dever do Estado garantir a saúde da população mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doenças. Entretanto, é notório que o aparato estatal está ineficiente no combate a obesidade infantil, dado que segundo a OMS, se o Brasil continuar no mesmo ritmo em que está, em 2025 haverá quase 12 milhões de crianças obesas. Assim, é imperativo que o governo procure meios de frear a obesidade infantil no país, visto que ela ocasiona problemas cardíacos, diabetes, pressão alta e outros enfermidades que dificultam a promoção de uma infância digna.

Urge, portanto, que as emissoras de TV aberta do país, em parceria com o Conselho Brasileiro de Nutrição, promova mini-programas de 1 minuto entre as novelas e jornais, apresentando receitas fáceis e rápidas de fazer, com ingredientes facilmente encontrados em feiras e supermercados, visando ensinar os pais a preparar refeições simples e nutritivas e que possam ser congeladas. Ademais, o Governo Federal, em consoante com as Prefeituras e ONGs que militam na área, deve construir ou ampliar centros esportivos, estrategicamente espalhados pela cidade, com a oferta de diversos esportes como: judô, futebol, vôlei, ballet, dança entre outros, com vistas a oferecer atividade física de qualidade e gratuita a crianças e jovens. Desse modo, observada uma ação conjunta entre os dois atores sociais, o Brasil caminhará na direção de promover uma infância mais saudável.