Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 11/10/2018

Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o protagonista da obra cita que “o menino é  pai do homem”, mostrando que  os cuidados com as crianças, hoje, podem refletir diretamente na sua construção futura. Entretanto, sabe-se que, na atualidade, a obesidade infantil tem condenado milhões de jovens a um futuro cheio de complicações; sendo consequência das fortes propagandas alimentícias e do sedentarismo ascendente. Entender os vetores deste malefício se faz preciso para amenizar o estado crítico atual.

É preciso considerar, antes de tudo, a influência das publicidades alimentícias sobre o público infantil. Isso porque, tais propagandas existem com o fito de incentivar seu destinatário ao consumo de alimentos industrializados; desencadeando um processo negligente de maus hábitos alimentares. Segundo Zygmunt Bauman, “o problema não é consumir; é o desejo insaciável de continuar consumindo”. Desse modo, se faz preciso vista grossa contra as tendência viciosas das crianças, que, por sua vez, estão cada vez mais inseridas ao meio consumista.

Cabe apontar, também, os altos índices do sedentarismo na formação dos jovens. Tal fato se deve, visto que há, em muitos casos,uma incúria intencional dos pais ou responsáveis no desenvolvimento de uma alimentação mais saudável; e de exercícios físicos para as crianças. De acordo com a Federação Mundial de obesidade, cerca de 80% desse público não atinge o nível recomendado de atividades físicas. Ademais, os mesmos, sendo inseridos cada vez mais cedo no mundo virtual, acabam optando por smartphones e videogames, ao invés de brincadeiras ao ar livre. Dessa forma, reconfigurar as prioridades das crianças também se torna fundamental no combate à obesidade.

Fica clara, portanto, a necessidade de combater os vetores maléficos da obesidade infantil. Para tal, o Ministério da Saúde deve desenvolver e disseminar campanhas publicitárias, por meio das mídias- como  televisões, redes sociais e sites de apoio- visando enfatizar a importância da prática de esportes e exercícios físicos, além das tradicionais brincadeiras coletivas ao ar livre. Cabe também, à família, acompanhada por um nutricionista, o dever de reeducar a alimentação das crianças, reduzindo a quantidade de produtos industrializados e criando uma dieta mais balanceada, objetivando a diminuição de possíveis complicações na saúde. Para que, enfim, o panorama atual possa ser revertido e o estado crítico vigente, amenizado.