Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 30/08/2018

A criança nascida no séc. XXI está ambientada a uma realidade na qual o lazer é sinônimo de entretenimento virtual e os alimentos são ultraprocessados a fim de se tornarem mais palatáveis, mesmo que escassos de nutrientes. Assim, a consonância de tais fatos é responsável pelo aumento vertiginoso no índice de obesidade infantil no Brasil.

Hoje, atividade ao ar livre não é uma opção viável para muitos, pois o local onde moram não é seguro, não há espaço para tal ou o jovem, simplesmente, opta por se divertir dentro de casa, na companhia de um aparelho eletrônico. Segundo Bauman, em seu livro “44 cartas ao mundo líquido moderno”, as pessoas têm seu celular, video game, computador como companhias - como a um amigo - e acabam passando a maior parte do seu dia com eles, principalmente as crianças que costumam possuir mais tempo livre durante o dia. Logo, como resultado de horas numa mesma posição, há um baixo gasto calórico, bem como o déficit na saúde do indivíduo, dada a importância da atividade física para o bom funcionamento do organismo, levando-os à obesidade precoce.

Ademais, há uma indústria alimentícia que investe incisivamente em propagandas e mecanismos para tornar seu produto mais vendido. O uso de emulsificantes, potencializadores de sabor, aromas artificiais e gorduras hidrogenadas resulta em alimentos muito mais saborosos que os naturais, em contrapartida, mais calóricos e nocivos à saúde daquele que o consome. Nesse viés, as crianças são as maiores prejudicadas, haja visto que não têm conhecimento nutricional e fisiológico suficiente para entender que devem preferir alimentos ricos em nutrientes e fibras aos industrializados, tornando uma difícil tarefa aos pais fazer com que comam de forma saudável enquanto há a opção de alimentos mais palatáveis, instintivamente os preferidos das crianças.

Em suma, a obesidade infantil é uma consequência sintomática dos hábitos da sociedade vigente. Extensos períodos em companhia de uma aparelho eletrônico, sem exercícios significativos, e as tentações de uma ingestão excessiva de calorias vazias, que representa os alimentos industrializados, são parte do cotidiano das crianças que apresentam sobrepeso. Portanto, a fim de mitigar tal problema, o governo, por meio do Ministério da Saúde em conjunto com o do Esporte, deve promover mais atividades nos centros poliesportivos das cidades, como brincadeiras e competições para incentivar as crianças a praticar exercícios e associar tal atividade a diversão, bem como, impor limites aos produtos industrializados que tem como público alvo as crianças, obrigando as indústrias alimentícias a produzir produtos com mais nutrientes, fibras e menos emulsificantes e potencializadores de sabor, assemelhando-se mais a produtos naturais.