Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 30/08/2018
A Constituição prevê, no art. 6º, a saúde como direito social fundamental, em virtude de sua importância para a dignidade humana. Tal preceito jurídico imprescinde, para sua aplicação, de uma efetiva atenção às crianças que enfrentam o problema da obesidade. No atual cenário brasileiro, essa questão enfrenta desafios relativos à indústria alimentícia e aos hábitos de consumo contemporâneos, cujos efeitos deletérios são imperiosos se debaterem.
Primeiramente, é inafastável reconhecer a influência dos meios de produção hodiernos sobre as práticas alimentares, inclusive em relação às pessoas de tenra idade. Nesse contexto, notícia do New York Times, de 2017, demonstrou como grandes corporações viciaram a população em alimentos ultraprocessados, o que resultou no aumento da média de peso dos brasileiros. Esse fenômeno impactou peculiarmente os mais novos, tendo em vista que cerca de um terço das crianças no país são obesas, segundo dados da BBC, de 2017. Desse modo, evidencia-se o reforço da prática da regulamentação como forma de combate à problemática.
Ademais, os valores e costumes familiares são determinantes na formação do estilo de vida dos filhos. Nessa perspectiva, a ideia do filósofo Hans Jonas, na obra O Princípio Responsabilidade, de que a ação ética implica inexoravelmente na responsabilidade do futuro do outro, mostra-se pertinente. Sob essa ótica, destaca-se o fato de que filhos de pessoas obesas têm chances consideravelmente maiores de encarar o mesmo problema, isso em razão da replicação do comportamento alimentar na geração seguinte. Dessa forma, demonstra-se a necessidade de repensar a ética, a fim de trabalhar uma cultura baseada no exemplo dos mais velhos.
Decerto, a superação da obesidade na infância revela-se conecta à transformação do modo de agir daqueles que participam da educação dos menores. No tocante a isso, o Ministério da Saúde, junto de mídias televisivas, deve promover uma proposta de reeducação alimentar aos pais, por meio de campanhas publicitárias, esclarecendo-os dos reflexos imediatos na vida dos filhos. Nesse viés, o Ministério da Educação, junto de escolas públicas e privadas, deve fomentar nos alunos do ensino fundamental um estilo de consumo equilibrado em face do atual contexto consumista, por meio de alterações das grades das matérias de ciências sociais e de biologia nesse sentido. Dessa maneira, pode-se mitigar os efeitos negativos desse quadro em simultânea reflexão ética e cidadã na sociedade e na família.