Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 02/09/2018

Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, explicita em seu livro “Modernidade Liquida” que uma das consequências da liquidez do mundo hodierno é o imediatismo. Nesse sentido, os indivíduos tem preferido, cada vez mais, alimentos ultraprocessados, isto é, de rápido preparo. No entanto, tal habito tem afetado duramente os infantes brasileiros – de acordo com o Ministério da Saúde, em cada 3 crianças 1 está acima do peso.

É indubitável que problemas sofridos na infância permeiam toda a vida de um cidadão. Desse modo, a má alimentação e obesidade costumam acompanha-lo até a vida adulta, conforme aponta pesquisa feita pelo jornal New England of Medicine. À vista disso, confirma-se o determinismo de Larmarck, no qual o naturalista francês afirma que o meio é um fator determinante na formação do homem, ou seja, os costumes alimentares irão se propagar. Isto posto, a família e escola tem um papel imprescindível nesse âmbito.

Outrossim, destaca-se a publicidade como impulsionadora da problemática. Nessa perspectiva, uma lei que proíbe a propaganda de alimentos voltados para o público acriançado foi criado em 2016, contudo, ainda é possível encontrar resquícios dessa prática. Em consonância a essa idéia, estima-se que 50% de todos os anúncios dirigidos a essa parcela da sociedade seja alimentícia e, desses, mais de 80% seja de produtos não saudáveis, de acordo com o Observatório de Politicas de Segurança Alimentar e Nutrição. Dessa maneira, é notório que tira-se facilmente vantagem desses seres vulneráveis colocando em risco sua saúde.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de uma alimentação saudável para crianças no Brasil. Destarte, o Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério da Saúde, deve introduzir, em escolas primárias, atividades lúdicas que exprimam a importância de uma alimentação saudável, bem como o contato direito com o alimento, como hortas ou o preparo de algo, promovendo a proximidade e conhecimento para que, por consequência, desenvolva uma nutrição saudável. Concomitantemente, o Ministério da Propaganda deve promover uma ação intensiva de reconhecimento de publicidades nocivas, multando as instituições que violarem a lei, afim de proporcionar uma infância saudável ao bem mais precioso da humanidade: as crianças.