Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 17/10/2018

Na animação Wall-e, uma distopia na qual a Terra se torna inabitável e, por isso, os seres humanos são isolados no espaço, é possível perceber que todos os habitantes da aeronave estão acima do peso devido a existência de uma indústria que os estimula a um estilo de vida sedentário e a uma alimentação baseada em fast-food. Nesse contexto, a obesidade infantil é um alarde na sociedade consumista do século XXI. No entanto, o estilo de vida imposto pela indústria alimentícia às crianças e a falta de prevenção ao assunto em questão desafiam o seu combate.

Em primeiro lugar, convém ressaltar que as crianças são vítimas do estilo de vida imposto pela indústria alimentícia. Segundo o portal de notícias BBC, estima-se que até 2025, 11 milhões de crianças estarão acima do peso no Brasil. Conquanto, as crianças estão expostas diariamente às propagandas de alimentos ultra processados, ou seja, com quantidades excessivas de sal, açúcar, conservantes, gorduras, entre outros componentes prejudiciais à saúde. Além disso, estratégias como brindes e mascotes, são ferramentas industriais que as levam a consumirem, seja na merendeira da escola ou em casa, uma alimentação desregular na fase mais importante do crescimento – a infância.

Outrossim, não menos importante, a falta de prevenção à obesidade infantil prejudica a qualidade de vida das crianças. De acordo com o doutor Dráuzio Varella, os riscos da obesidade são: diabetes, alta taxa de colesterol, problemas cardiovasculares e respiratórios, dores nas juntas, além do bullyng. Todavia, o tratamento hostil contra as crianças acima do peso nas escolas, consequência do preconceito enraizado na sociedade, acaba diminuindo a autoestima das vítimas e repelindo-as das atividades físicas, o que dificulta a superarem a obesidade, já que também podem envolver problemas psicológicos. Logo, o problema se torna mais complexo que uma perda de peso, mas de uma melhor qualidade de vida.

É evidente, em suma, a necessidade de alternativas para o combate da obesidade infantil. Para isso, o Governo, aliado ao Ministério da Saúde, deve investir na promoção de políticas públicas em escolas de ensino fundamental e médio, mediante um programa, que com a ajuda de nutricionistas, ofereça uma orientação alimentar saudável, mostrando na prática os impactos do fast-food em excesso no corpo humano; e através de competições esportivas, incentive a prática de atividades físicas, a fim de erradicar o sedentarismo e promover o respeito entre os colegas. Assim, os impactos do consumismo serão minimizados na saúde das crianças brasileiras.