Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 05/10/2018
Em março de 2018, o Ministério da Saúde comemora os 63 anos do Programa Nacional de Alimentação no Brasil. O artigo tem a meta articular maneiras para reduzir alguns problemas ligados a alimentação. Todavia, mesmo diante de tal medida, nota-se que ainda existem alguns desafios que impedem este objetivo de ser alcançado. Com isso, surge a problemática da obesidade infantil, que persiste intrinsecamente ligada a realidade do país e que constitui uma ameaça para o bem-estar humano, seja por funcionar como motivo de exclusão social, seja por ser prejudicial a saúde do corpo.
Conforme dados da Organização Mundial da Saúde, cerca 47% das crianças obesas sofrem com o fenômeno do isolamento. O órgão afirma que o principal motivo é a vergonha de um corpo que não se encaixa nos estereótipos sociais. Partindo dessa verdade, é possível dizer que a família e a sociedade tem grande parcela de culpa no problema. Isso porque, é dever dos pais educar os hábitos alimentares da criança desde cedo, incentivando-as, por exemplo, a não comerem comidas gordurosas que contribuem com o sobrepeso. Por outro lado, a sociedade cultua um padrão corporal de beleza magro que, muitas vezes, faz com que as pessoas acima do peso se sintam excluídas socialmente .
Outrossim, vale ressaltar que o excesso de peso está intimamente relacionado ao aparecimento de doenças prejudiciais a saúde do ser. Segundo a Associação Nacional de Saúde, quase 80% dos problemas cardiovasculares e de diabetes têm ligação com o excesso de massa corporal. Nessa perspectiva, pode-se dizer que o Estado não cumpre com eficiência o seu papel na profilaxia do problema, uma vez que se mostra negligente ao não utilizar ferramentas, como a mídia, que possui um forte poder de coerção, para conscientizar a sociedade sobre o assunto. Logo, o princípio Durkheimiano de que a sociedade funciona como um organismo vivo, é amputado, pois segundo o autor, é necessário que todos seu componentes funcionem adequadamente para que nela haja harmonia.
Fica evidente, portanto, que a obesidade infantil é algo que precisa ser superado. E para garantir isso, é imprescindível a participação da tríade família, sociedade e Estado. A família, como promotora da educação, deve cuidar com mais compromisso da alimentação da criança, não deixando que alimentos gordurosos e muito calóricos façam parte da dieta dos filhos, para que, dessa maneira, possa estar contribuindo no combate ao excesso de peso; a sociedade deve sanar todo e qualquer tipo de ato preconceituoso direcionado a pessoas acima do peso, a fim de que a questão da exclusão social das crianças possa ser minorada; por fim, o Estado, com seu caráter abarcativo e socializante, vinculado a mídia televisiva, precisa promover propagandas impactantes que alerte sobre os riscos oferecidos pela obesidade infantil, com o fito de estimular a população a enfrentar o problema.