Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 09/10/2018
O documentário ‘Muito além do peso’, estreado em 2012, retrata os problemas da obesidade infantil e a influência da comunicação mercadológica de alimentos dirigida às crianças. Essa problemática se apresenta com um desafio atual na sociedade brasileira e engloba fatores como as mudanças no cotidiano social e os estímulos negativos no que tange à alimentação.
A princípio, é possível perceber que esse entrave está enraizado no ritmo de vida acelerado da sociedade contemporânea. Tangente a isso, devido a rotinas abarrotadas associadas à alta demanda de trabalho, os pais recorrem a ‘fast-foods’ e alimentos ultraprocessados para compor a alimentação de seus filhos, fator que, associado às poucas ou inexistentes práticas de exercícios físicos, ocasionam o aumento de peso infantil. Seguindo o conceito baumaniano de modernidade líquida, o padrão de comportamento acelerado da pós modernidade resulta em crianças obesas e sedentárias e, quanto a isso, o Ministério da Saúde aponta que mais de 30% das crianças entre 5 e 9 anos estão acima do peso ideal.
Outrossim, o fator psicológico é um agravante nesse cenário. Nessa lógica, apesar das redes sociais estimularem, através de perfis voltados para este tema, a prática de exercício e a adoção de dietas, muitos distúrbios alimentares são gerados entre as crianças devido a tais práticas não estarem associadas ao acompanhamento de profissionais capacitados. Ademais, o bullying nas escolas estimulados pela gordofobia e pelo estabelecimento de padrões inalcançáveis de beleza, resultam em mais casos de compulsão alimentar devido ao estresse e à depressão. Assim, muitas vezes a obesidade infantil é, antes de tudo, um fator a ser trabalhado em suas origens pois, como afirmou Durkheim, o homem é mais produto da sociedade do que formador dela.
Portanto, medidas se fazem urgentes para combater este mal. Ao considerar a educação como primeiro passo para a mudança, o MEC, em parceria com as escolas, deve introduzir no currículo escolar um aprofundado estudo e aplicação do ‘Guia Alimentar para a População Brasileira’, cartilha elaborada pelo Ministério da Saúde que não tem o devido reconhecimento nacional, apesar de ser referência internacionalmente. Além disso, a educação física nas escolas deve assumir um papel mais dinâmico e, para isto, as escolas devem formar parcerias com academias, vilas olímpicas, estúdios de crossfit e afins, com o intuito de gerar mais interesse nos alunos para estas modalidades. Ainda, o Ministério das Comunicações deve elaborar uma campanha antigordofobia com o objetivo de alertar a população sobre as consequências desses atos. Para que assim, o país do arroz com feijão seja lar de crianças saudáveis e felizes.