Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 11/10/2018
“Que seu alimento seja seu remédio e seu remédio seja seu alimento”. Contrariando a célebre frase de Hipócrates, os hábitos alimentares hodiernos têm se revelado extremamente nocivos à saúde, configurando-se como um fator determinante para o aumento nos índices de obesidade da população brasileira, sobretudo das crianças. Nesse contexto, torna-se evidente a postura displicente dos pais e responsáveis, bem como a forte influência exercida pela indústria alimentícia na intensificação da problemática.
O filósofo polonês Zygmunt Bauman classifica o mundo moderno como líquido, tendo em vista a efemeridade e a fluidez que caracterizam a vida do homem contemporâneo. Nessa lógica, se torna notória a preferência dos indivíduos pela praticidade fornecida pelos alimentos industrializados e restaurantes do tipo “Fast-Food”. No entanto, apesar de práticos, esses produtos são deletérios à saúde, na medida em que possuem altos níveis de calorias, açúcares, gorduras e aditivos químicos. A perpetuação do consumo desses insumos pelas crianças se dá à ausência de consciência de muitos pais acerca da real extensão das consequências subsequentes, visto que a obesidade é um fator de risco para várias outras doenças, como diabetes e hipertensão arterial.
Vale ressaltar, ademais, o grande impacto das estratégias de marketing da indústria alimentícia nos hábitos alimentares dos pequenos. As grandes empresas, por meio das propagandas, atrelam a seus produtos concepções de felicidade, por meio da associação com personagens de desenhos animados, por exemplo. Tal tática induz as crianças a tornarem-se consumidoras de diversos tipos de alimentos prejudiciais à saúde. Isso pode ser explicado conforme as ideias de Marx, o qual afirma que no sistema capitalista, a ânsia por lucro ultrapassa valores éticos e morais. Como resultado da ganância dos grandes empresários, cada vez mais jovens são acometidos por patologias relacionadas ao excesso de peso, podendo carregar sequelas para o resto da vida.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para reverter o caótico quadro de propagação da obesidade infantil. Cabe ao Ministério da Saúde promover oficinas nas escolas, para os alunos e familiares, onde sejam fornecidas palestras de nutricionistas, médicos e educadores físicos, bem como atividades lúdicas para as crianças e até mesmo aulas de culinária, objetivando um processo de reeducação alimentar não só dos pequenos, mas também dos pais e responsáveis. Somado a isso, os legisladores devem reformular leis para garantir um maior controle das propagandas destinadas ao publico infantil, com o fito de diminuir a relação de domínio contida na esfera publicitária. Dessa forma, combatendo causas e reduzindo efeitos, o Brasil apresentará jovens mais saudáveis.