Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 11/10/2018
O filósofo grego Hipócrates, consagrado como “pai da medicina”, apregoava que o alimento servia como cura e prevenção de diversas enfermidades. No cenário contemporâneo, ocorre uma inversão desse valor, fato observado no crescente número de sujeitos que sofrem de doenças relacionadas aos maus hábitos alimentares. Nesse sentido, urge resgatar as condutas alimentares saudáveis no intuito de reverter o quadro de obesidade que afeta grande parte da população mundial, especialmente o público infantil.
Com o advento das sociedades industriais, os sujeitos administram o tempo de acordo com as demandas do trabalho e da locomoção nas cidades. Com isso, o tempo outrora destinado à seleção e ao preparo de refeições naturais foi comprometido. Esse período foi substituído pela indústria da comida rápida, em geral composta de alimentos promotores da obesidade, que traz consigo o comprometimento gradual da saúde. Percebe-se, com isso, um consistente processo de alienação coletiva sobre os riscos do consumo excessivo desses produtos. Nesse contexto as crianças são as mais prejudicadas, uma vez que ainda não possuem autonomia e discernimento na escolha dos alimentos. Assim, são mais suscetíveis à ingesta de produtos alimentícios prejudiciais à saúde.
De acordo com o médico brasileiro Lair Ribeiro, a pessoa que não encontra tempo para cuidar da saúde, necessitará de tempo para cuidar da doença. Dessa maneira, a edificação do comportamento alimentar está alicerçada nos hábitos adquiridos a partir da infância. Nota-se o investimento maciço da indústria na promoção de produtos alimentícios voltados ao público infantil, com vistas ao condicionamento destas em futuros consumidores de alimentos processados. Como resultado, observamos o ônus desse processo no sistema único de saúde, o qual limita-se a tratar afecções à saúde majoritariamente associadas à má alimentação, como a diabetes e a hipertensão arterial.
Faz-se necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para promover saúde da população por intermédio da alimentação adequada. Cabe ao Ministério da saúde, em parceria com o Ministério da Educação, a proibição da venda de alimentos com pobre teor nutricional nas escolas de todo o país, concomitante a oferta gratuita aos alunos de alimentos orgânicos adquiridos de produtores locais. No âmbito midiático, compete também o governo federal a promoção, em rede nacional de rádio e televisão, a divulgação de informações sobre como cultivar, selecionar e produzir refeições mais saudáveis. Desse modo, será possível oportunizar a todos, conforme preconizava Hipócrates, o acesso à prevenção de diversas enfermidades do modo de vida moderno.