Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 12/10/2018

No fim do século XX, com o sucesso do Plano Real e a instituição de uma moeda  forte e competitiva, o poder de compra dos brasileiros aumentou e, em conjunto, o consumo de alimentos superprocessados. Nos dias de hoje, como reflexo desse contexto, a obesidade se instaurou na sociedade a qual possui em sua parcela infantil, principal grupo afetado pelo processo. Nesse sentido, combater a obesidade infantil regulando a alimentação das crianças no contexto familiar e escolar e combatendo a “sedentarização tecnológica” tornam-se medidas imprescindíveis.

Segundo o sociólogo Pierre Bordieu, o “habitus” constitui um conjunto de disposições e tendências que influenciam a maneira como o indivíduo reage ao mundo ao seu redor e que são adquiridos, primordialmente, com a família. Sob tal ótica, muitos são os pais que por possuírem maus hábitos alimentares iniciam seus filhos( muitos ainda bebês sem o paladar totalmente formado) no consumo de alimentos industrializados ricos em açúcar que viciam a criança. Além disso muitas são as escolas que negligenciam a educação alimentar em sala de aula e que vendem em suas cantinas lanches hipercalóricos como “salgadinhos” e frituras que contribuem para o aparecimento de problemas de saúde como hipertensão e diabetes, cada vez mais presente no dia a dia das crianças de hoje.

Outrossim, a influência das tecnologias também é fator agravante desse processo. No filme Wall-e, animação da Disney Pixar, é retratado um futuro distópico em que o sedentarismo gerado pela tecnologia criou uma humanidade obesa ao ponto em que simples ações como andar eram quase impossíveis. No mundo rual, analogamente, o sedentarismo em crianças é cada vez maior em um contexto que as brincadeiras do passado(que exigiam maior esforço físico) são abandonadas e substituídas por jogos eletrônicos e “vídeo games” os quais em conjunto com o consumo dos alimentos supracitados, constituem fortes desafios a serem superados para o combate a obesidade infantil.

Por esses motivos, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com escolas públicas e privadas, desenvolva aulas quinzenais voltadas para alunos e pais sobre educação alimentar, que ensinem a confecção de alimento saudáveis e instruam na montagem de tabelas de refeições para a regragem da alimentação do infante, além de exigir a venda de lanches nutritivos em substituição aos tradicionais hipercalóricos nas cantinas desses espaços. Ademais, o Ministério da Educação, deve em parceria com esses centros educacionais, criar palestras e congressos educacionais alertando pais e alunos perante os ricos à saúde causados pela “sedentarização tecnológica”, afim de gerar conscientização familiar e social sobre os perigos da obesidade infantil. Dessa forma, espera-se criar um novo " habitus" em prol dos adultos do futuro.