Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 13/10/2018
No fim do século XX, com o sucesso do Plano Real e a instituição de uma moeda forte e competitiva, o poder de compra dos brasileiros aumentou e, em conjunto, o consumo de alimentos superprocessados. Nos dias de hoje, como reflexo desse contexto, a obesidade se instaurou na sociedade a qual possui em sua parcela infantil, principal grupo afetado pelo processo. Nesse sentido, combater a negligência familiar perante a alimentação da criança e regular o enfoque midiático dirigido a esse público, tornam-se medidas imprescindíveis na ‘’luta’’ contra a obesidade infantil.
Segundo o sociólogo Pierre Bordieu, o “habitus” constitui um conjunto de disposições e tendências que influenciam a maneira como o indivíduo reage ao mundo ao seu redor e que são adquiridos, primordialmente, com a família. Sob tal ótica, muitos são os pais que, por comodismo e praticidade,iniciam seus filhos( muitos ainda bebês sem o paladar totalmente formado) no consumo de alimentos industrializados ricos em açúcar que viciam a criança. Além disso, muitas são as escolas que negligenciam a educação alimentar em sala de aula e que vendem em suas cantinas lanches hipercalóricos, como “salgadinhos” e frituras, que em nada contribuem em prol da saúde do infante que torna-se cada dia mais obeso.
Observa-se,também, a influência negativa de propagandas midiáticas no processo. Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortella, a mídia funciona como corpo docente haja vista a criança iniciar o ensino fundamental com mais de cinco mil horas de televisão. Desse modo, é grande o apelo de propagandas,dirigidas ao público infantil, para o incentivo ao consumo de alimentos industrializados como biscoitos e ‘‘salgadinhos",por os associarem a personagens de desenhos animados. Em vista disso, como o retratado pelo documentário Muito Além do Peso, da roteirista Estela Renner, muitas são as empresas que,por meio dessas peças publicitárias, “mascaram” os efeitos maléficos que seus alimentos geram á saúde das crianças em prol da venda desses produtos que constituem poderoso desafio ao combate da obesidade infantil.
Portanto, é necessário que o governo, em parceria com órgãos como o CONAR, regularize com maior rigidez as propagandas voltadas para o público infantil, principalmente na área da alimentação, por meio da exigência de alertas perante os malefícios do consumo excessivo desses alimentos, afim de gerar mais transparecia perante seus efeitos à saúde. Além disso, o Ministério da Educação, em parceria com escolas, desenvolva aulas quinzenais voltadas para pais e alunos sobre educação alimentar, por meio da montagem de tabelas para regrar a alimentação da criança e também a substituição de alimentos hipercalóricos das cantinas,para gerar um ambiente mais saudável.