Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 26/10/2018
‘‘O importante não é viver, mas viver bem’’, segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência. No entanto, no Brasil, essa não é a realidade dos indivíduos que sofrem na infância de sobrepeso levando à obesidade, já que essa condição acarreta dezenas de doenças físicas e psíquicas. Sendo assim, evidencia-se que há lacunas a serem preenchidas para aproximar a realidade desses jovens à descrita por Platão, como o combate à má alimentação e o sedentarismo, cada vez mais presentes na vida dos infantis brasileiros.
Mormente, é necessário destacar que o cenário presenciado hodiernamente é vítima de um novo contexto mundial e nacional, visto que, a revolução industrial a partir do século XVIII trouxe consigo um modelo de sociedade em que as mulheres ingressaram no mercado de trabalho - considerada por muitos séculos a responsável pelas responsabilidades do lar, incluindo a alimentação- e o tempo é encurtado a cada dia que passa, a fluidez retratada por Zygmunt Bauman. Nesse âmbito, as crianças e adolescentes tiveram por esse e outros motivos, sua alimentação baseada em fast-foods e comidas industrializadas que acompanhada de campanhas publicitárias desse gênero voltadas para esse público, a exemplo dos brindes do ‘‘mc lanche feliz’’, atraem cada vez mais os infantis à esse estilo de alimentação. Sendo assim, não há como negar a urgência do combate a essa condição que ocasiona doenças como cardiovasculares, diabetes e depressão, levando indivíduos com idades tão reduzidas a problemas considerados de adultos.
Ademais, o sedentarismo, aliado à uma dieta desregulada de desnutrição - baixa qualidade nutricional - e alto nível calórico, é outro desafio no combate à obesidade infantil. Esse sedentarismo também é consequência do novo modelo de vida da sociedade mundial e brasileira, pois crianças trocaram as brincadeiras ao ar livre, brincadeiras de correr que auxiliavam na saúde, por ‘‘vídeo-games’’ e ‘’tablets’’, os quais não estimulam o exercício físico desses jovens e concatenam para dados estarrecedores. Segundo a Federação Mundial de Obesidade sem uma mudança de hábitos, em menos de uma década a obesidade pode atingir 11,3 milhões de crianças no Brasil, pois, esse cenário lúgubre ratifica a obesidade como um problema público de saúde.
Diante do exposto, é indubitável os desafios para o combate à obesidade infantil no Brasil. Portanto, a escola, em parceria com as famílias, deve investir na educação nutricional desde o ensino fundamental - fomentando a mudança pela base e por exemplos - por meio de cardápios mais equilibrados nas cantinas e palestras que informem aos pais e estudantes a importância desse tema e suas diversas consequências, a fim de aproximar esse grupo da realidade descrita por Platão.