Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 17/10/2018

Para os sociólogos Adorno e Horkheimer, os cidadãos são vítimas das ganâncias da indústria cultural por meio das mensagens transmitidas pelos meios de comunicação, uma vez que elas buscam manter o lucro das empresas expoente e não o bem-estar dos telespectadores. Dessa forma, é possível traçar um paralelo entre as propagandas do setor alimentício direcionadas ao público infantil que, associadas a falta de exercícios físicos na escola e aos maus hábitos alimentares familiares, corroboram para a manutenção do crescimento da taxa de obesidade infantil no Brasil.

Em primeira análise, é importante destacar que a partir da grande industrialização ocorrida no Brasil na segunda metade do século XX, houve uma grande oferta de variedade de produtos, inclusive alimentícios. Consequentemente, com o surgimento paralelo da mídia, as propagandas veiculadas via televisão visavam o incitamento ao consumo de tais mercadorias, e mantêm esse caráter até a atualidade. Contudo, a difusão do marketing que utiliza personagens infantis nas embalagens e  brinquedos acompanhando ‘fast-foods’ atrai as crianças ao consumo de alimentos repletos de gorduras trans, gorduras hidrogenadas, excesso de carboidratos refinados e corantes, que podem ocasionar na obesidade e posteriormente, no desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes.

Em segunda análise, segundo o que foi discutido no parágrafo anterior, cabe ressaltar a importância do papel da família e da escola na reversão da influência midiática fomentadora do desejo por comidas não saudáveis nos pupilos brasileiros. Nessa perspectiva, por consequência do estilo de vida agitado e sem tempo provindo da industrialização urbana, os pais muitas vezes falham em atentar-se a comida das crianças e, por comodidade e rapidez, cedem em fornecer comidas rápidas, como bolachas de chocolate, o que coloca em risco a saúde das crianças. Além disso, a ausência de programas de educação nutricional na escola que acompanhem o peso das crianças e seus hábitos alimentares, os reeducando alimentalmente, somado a pouca variedade de esportes oferecidos nas aulas de educação física, contribuem para a continuidade da obesidade infantil no Brasil.

Destarte, é necessário que a CONAR (Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária), por meio da contratação de nutricionistas para somar ao corpo avaliador de propagandas, regule e controle o excesso de anúncios e estratégias comerciais direcionada ao público infantil em alimentos não saudáveis, para que haja menos estimulação ao consumo de tais produtos e assim, diminua a taxa de obesidade infantil e seus riscos. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde, por meio do direcionamento de verbas, estabelecer um projeto contínuo de acompanhamento nutricional e de práticas físicas nas escolas, para aumentar a saúde das crianças e reduzir os casos de obesidade infantil.