Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 19/10/2018

Historicamente, a relação do homem com a sua subsistência está ligada à passagem do nomadismo para o sedentarismo. Hodiernamente, com o desenvolvimento industrial e tecnológico, houve a modificação definitiva dos comportamentos sociais e alimentares das famílias e, consequentemente, das crianças. Nesse sentido, surge, de forma mais acentuada, a obesidade infantil como consequência da oferta e do acesso exagerados às comidas industrializadas, frente à precária educação familiar e escolar no que diz respeito a um modo de vida saudável. Destarte, é imprescindível a abordagem dessa problemática, bem como a busca de alternativas para combatê-la.

Nesse contexto, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a família, a sociedade e o Estado possuem o dever de assegurar à criança e ao adolescente o direito à saúde e à alimentação. Contudo, infelizmente, ainda observa-se negligência nesses três âmbitos da prática dessa realidade. Isso é confirmado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que mostra o aumento da obesidade na faixa etária de 5 a 19 anos em dez vezes nas últimas quatro décadas. Esse agravo é promovido e acentuado pela influência de marketings sobre os infantes, além de políticas que hiperinflacionam os alimentos saudáveis, dificultando o acesso da população.

Em contrapartida, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), criado em 1955, possui a finalidade de formar bons hábitos e combater a desnutrição e o sobrepeso. Conquanto, mesmo abrangendo atualmente mais de 42 milhões de alunos em escolas públicas do Brasil, este programa ainda enfrenta dificuldades para sua plena execução, como: insuficiência de nutricionistas e baixa aquisição de alguns gêneros alimentícios. Dessa forma, a soma dos fatores supracitados acarreta uma geração de crianças e adolescentes que consome alimentos de baixo teor nutricional, tonando-se obesos e com maior risco de doenças como o diabetes.

Portanto, é indubitável a persistência desse entrave na sociedade e notória a necessidade de se superar esse desafio. Nesse viés, faz-se mister que o Conselho de Alimentação Escolar (CAE) fiscalize a execução do PNAE, a fim de que sejam contratados mais profissionais e adquirida uma diversidade nutricional maior. Ademais, o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia televisiva, deve incentivar a valorização de comidas nutritivas mediante propagandas informativas, com o fito de haver maior conscientização das famílias no que tange esse assunto. Estas, por sua vez, podem também estimular seus entes queridos a se alimentarem melhor, através de conversas e da inserção no âmbito domiciliar de pratos saudáveis. A partir dessas ações, a tríade – reeducação, acesso e suprimento será uma realidade em nosso país.