Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 21/10/2018
A obesidade está associada, majoritariamente, à seleção incorreta dos alimentos com base em sua função nutricional e catabólica, em detrimento do senso de ingesta exacerbada de comida. A priori, a mesma também pode estar elencada e ser potencialmente agravada por fatores genéticos, patologias de base, distúrbios psíquicos e comportamentais e pelo desequilíbrio homeostático, que confluem à necessidade de atenção médica e multidisciplinar no seu tratamento. Não obstante, a população infantil tem sido alvo latente da incidência do sobrepeso e, consequentemente, da obesidade, haja vista que as mudanças culturais e estruturais promovidas pela sociedade fomentaram mudanças de padrões e costumes da população. Doravante, é necessário o contrapeso da correta interpretação dos rótulos de informação nutricional e de filtros de photoshop nos alimentos, para que se dimensione o problema.
Outrossim, a responsabilidade de nutrição da criança é função compartilhada pela família, escola, Estado e pelas empresas, numa fusão entre setores públicos e privados, visto que essa população juvenil, alvo de jogadas de marketing que nem sempre presam por preceitos éticos, não possui capacidade crítica de análise e julgamento perceptivo daquilo que lhes é direcionado. Consoante a isso, são criados personagens e ídolos mirins, sobretudo por canais de interação social na Internet, que os influenciam a executar padrões viciosos de comportamento, baseados na Indústria Cultural - difusora de estilos de vida a serem seguidos sob a mediação de aparatos publicitários.
A posteriori, a escolha dos alimentos e a ocultação de informações importantes nas embalagens, são desafios propostos aos pais e ou responsáveis no ato da compra. Segundo dados de 2017 do IBOPE, cerca de 79% dos brasileiros não conseguem interpretar os dados contidos na informação nutricional dos alimentos ou compreendem parcialmente o conteúdo descrito. Por conseguinte, a adição de substâncias odorizantes e palatáveis, semelhantes ao sabor natural do alimento, bem como a sua associação com brinquedos e brindes ou com o “compre e leve de graça” induz a escolha de produtos ultraprocessados, que exibem imagens ilustrativas e irreais nos rótulos, criadas por computação gráfica.
Em síntese, é responsabilidade social do Estado, principalmente do Ministério da Saúde, promover campanhas que coloquem a obesidade em foco. Nesse sentido, ONGs como o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) são o elo de reivindicação da população civil com a esfera pública. Além disso, a ANVISA deve revisar o atual modelo de rotulagem dos alimentos exigindo que os mesmos explicitem advertências de excesso de determinados componentes, como sódio, açúcares e gorduras, assim como proibir a venda de brinquedos associados aos alimentos, haja vista que esses mecanismos reforçam a aquisição desnecessária de produtos, sem que ocorra o discernimento prévio.