Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 26/10/2018
Em meados dos anos 1980, a banda Legião Urbana tocava nas principais rádios do país, dentre as faixas mais conhecidas estava a música Geração Coca-Cola, que apresentava uma série de críticas à sociedade vigente. No trecho: “Quando crianças fomos programados, a receber o que vocês, nos empurraram com os enlatados”, há uma acusação sobre a má alimentação fornecida as crianças desde aquele período. Consoante à composição, é possível perceber que as mudanças no cotidiano do brasileiro (oriundas da industrialização) e a influência publicitária sobre o público infanto juvenil são os principais desafios para enfrentar a obesidade infantil.
Constata-se, inicialmente, que as mudanças ocorridas desde a industrialização, intensificada na terceira república, alteraram o modo de vida dos brasileiros.Com a rotina nas fábricas foi preciso buscar refeições mais rápidas e as crianças começaram a ter uma alimentação com falência nutricional; além disso, o sedentarismo passou a ser mais intenso devido à falta de tempo dos pais e à violência urbana. Essas transformações ocorreram muito rápido e a obesidade infantil se tornou uma realidade por causa do despreparo para redirecionar as crianças da “era industrial” para um modelo de vida saudável, tal fato fez com que, em fevereiro de 2018, cerca de um terço das crianças brasileiras (entre 5 e 9 anos) estivessem na escala de obesidade, segundo o Ministério da Saúde.
Congruente às alterações do cotidiano, a industrialização também promoveu a popularização de novas tecnologias e, consequentemente, auxiliou no fortalecimento da publicidade. Desenhos animados, filmes e redes sociais configuraram um novo modelo de consumismo, as propagandas voltadas para o público infantil apresentam os personagens mais populares; eles estão em mochilas, brinquedos e, principalmente, nos rótulos de alimentos muito atrativos ao paladar das crianças. É essencial ressaltar que os pequenos estão em processo de formação cognitiva, ou seja, são muito influenciáveis, a falta de controle por parte dos pais e de iniciativas no ambiente escolar faz com que eles estejam expostos à interferência midiática, o que impede a perpetuação de uma alimentação saudável.
Evidencia-se, portanto, que o Ministério da Saúde, em união com o da Educação, deve realizar um projeto de educação alimentar para o público infantil. Essa iniciativa concretizar-se-á por meio de campanhas publicitárias (elas devem ser transmitidas nos canais com programação infantil), trabalhos escolares (cultivo em pequenas hortas e experimentação de alimentos naturais) e da regulamentação da publicidade voltada às crianças. Assim será possível fornecer qualidade de vida para os pequenos cidadãos, para que o direito à saúde (assegurado pela Constituição Federal como um bem comum a todos os brasileiros) seja efetivado.