Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 22/10/2018
A obesidade não é um fenômeno recente.Sabe-se da existência de indivíduos obesos já na época paleolítica, há mais de 25 mil anos. Porém, o que predomina no cotidiano da sociedade pós- industrial é a banalização do alimento, propiciando o aumento do problema. Tal fator é preocupante, visto que, a cada ano o impasse cresce 2% entre a população brasileira, de acordo com o Ministério da Saúde, com isso vem afetando o modo de vida, especialmente infantil. Entretanto, a falta da educação alimentar nas escolas, bem como padrão alimentar familiar, dificultam um efeito definitivo.
A priori, de acordo com a lei nº 11947/2009, é dever o emprego da alimentação saudável no âmbito escolar, e a inclusão do ensino alimentar e nutricional. O Estado brasileiro, todavia, negligência este fato, uma vez que não dispõe no currículo escolar este ensinamento, apesar de apresentar, com aridade, palestras aos alunos, tais sem eficiência. Além disso, sendo a escola uma das principais fontes de conhecimento e exemplo no período infanto-juvenil, muitas oferecem comidas hipercalóricas na merenda, fazendo com que o aluno reproduza o hábito em casa, e até mesmo durante toda a vida. Dessa forma, além de não gozarem de um direito, as crianças ficam suscetíveis ao desenvolvimento de doenças como hipertensão e diabetes.
Por outro lado, a cultura alimentar da família dificulta a adesão de uma boa nutrição. Isto é consequência da valorização de itens ultraprocessados na era da globalização, por serem mais acessíveis e de fácil preparo, como discute a socióloga Anna Queiroz, a qual acredita que atualmente as pessoas dão menos valor nutricional ao que consomem a partir do momento em que desvaloriza-se o ato de cozinhar. Além disso, os jovens estão cada vez mais sedentários, ou seja, o ato de brincar na rua é trocado pelo consumo de entretenimento virtual. Desse modo, os maus hábitos alimentares criam vítimas, uma nova geração com menos expectativa de vida.
É evidente, portanto, que a obesidade é um problema de saúde pública, por isso, torna-se importante a educação alimentar. Sendo assim, é necessário que o Ministério da Educação acrescente ao currículo escolar a disciplina da nutrição básica, por meio de aulas dinâmicas e teóricas de culinária saudável, ministradas por nutrólogos, com participação familiar, que deve, ao menos uma vez na semana, envolver-se nas atividades, bem como o mesmo deve incentivar o plantio caseiro por meio de aulas de cultivo ao ar livre. Assim, é possível desenvolver a autonomia dos educandos, da mesma maneira que atenuar-se-á o impasse que afeta milhares de crianças no Brasil.