Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 30/10/2018

Adaptando a ideia de modernidade líquida de Zygmunt Bauman, parece que, hoje, o prazer imediato e o pouco cuidado com o futuro têm sido prioridade na vida do indivíduo brasileiro, que, em todo o tempo, prefere o mais rápido - isto é, os alimentos industrializados - e deixa de lado os alimentos saudáveis. Tal negligência tornou a obesidade um grande problema, acometendo, sobretudo, crianças. Nesse contexto, deve-se analisar como a falta de informação e o interesse econômico prejudicam o combate à obesidade infantil.

Primeiramente, a falta de informação é a principal responsável pelo aumento da obesidade infantil. Isso visto que os pais não possuem o conhecimento de uma alimentação correta e, muitas vezes, não possui nem a noção da quantidade de carboidratos e perigos que determinados alimentos dispõem. No documentário “Muito Além do Peso”, por exemplo, revela a quantia de açúcar que é consumida em uma lata de refrigerante para os entrevistadores, os quais ficam surpresos. Por consequência disso, a própria família acaba sustentando seus filhos erroneamente. Segundo o Departamento de Comunicação Institucional da Universidade de São Paulo, 56% dos bebês tomam refrigerante frequentemente antes do primeiro ano de vida.

Em uma segunda análise, nota-se, ainda, que o interesse econômico é outro fator responsável pela tal problemática. Conforme Marx, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, as grandes empresas alimentícias expõem a imagem dos seus produtos como algo que traz felicidade e realização pessoal, quando, muitas vezes, essas mercadorias causam danos à saúde do consumidor. Ademais, de acordo com dos dados da Universidade de Brasília, as propagandas induzem a uma alimentação irregular e atingem fortemente o público infantil. Não é à toa, logo, que, consoante ao Ministério da Saúde, 30% das crianças apresentam excesso de peso.

Torna-se evidente, portanto, que a obesidade infantil necessita de uma enorme atenção. Em razão disso, a mídia, em parceria com o MS, deve, a fim da conscientização social, disseminar, por meios comunicativos, uma educação alimentar correta e balanceada, para que, assim, os pais consolidem entre as crianças e adolescentes bons hábitos alimentares. Outrossim, o Governo, por intermédio dos órgãos responsáveis, deve regular as propagandas alimentícias que circulam os meios de comunicação, objetivando a obrigação das indústrias avisarem ao público os riscos recorrentes do consumo excessivo de seus produtos, para, desso modo, diminuir os casos de obesidade infantil. Dessa forma, o Brasil terá uma sociedade mais saudável.