Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 01/11/2018
Conforme descrito na lei da inércia, de Newton, um corpo tende a manter-se em seu estado natural até que uma força, maior ou igual, haja nele mudando seu trajeto. De forma análoga, quando se verifica a obesidade infantil, no Brasil, vê-se que no lugar de existir, assim como na teoria, uma força possa que mudar seu movimento, na prática os seus desafios são mantidos, seja pela influência da mídia, seja pelo sedentarismo que cresce dentre a população mais nova.
Em primeira análise, propagandas midiáticas contendo imagens e narrativas estimulam o consumo exacerbado e prejudicial à saúde. Nesse contexto, há grande estímulo ao consumo dos chamados “fast foods” ricos em gorduras hidrogenadas, capazes de aumentar a duração e o sabor do alimento. Entretanto, essas gorduras atuam na corrente sanguínea em forma de lipoproteína de baixa densidade - popularmente conhecida como colesterol ruim - a qual em altas concentrações podem ocasionar, consequentemente, doenças cardiovasculares precoce. Dessa forma, é nocivo como o poder midiático fomenta hábitos alimentares prejudiciais e ratifica o movimento inerte da problemática.
Outrossim, destaca-se o sedentarismo entre os jovens que vem aumentando cada vez mais. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira comum de agir e pensar. Desse modo, o fato da não prática de exercício físico estar presente na vida diária da maioria dos adultos, leva, por conseguinte, crianças e jovens a pensar que esse é um padrão estabelecido e contribui, apenas, para a manutenção do clico vicioso da obesidade. Assim sendo, torna-se mais dificultoso a troca de percurso, da teoria à prática.
Evidencia-se, portanto, que cabe ao Ministério da Saúde, mediante redirecionamento de verbas, criar, por meio de parcerias com mídias televisivas e seu alto alcance, narrativas propagandísticas, contando com a presença de pediatras e nutricionistas que informem dados estatísticos e as consequências causadas pela má alimentação na infância, a fim de que orientados desde pequenos possam ter uma qualidade de vida melhor no futuro. Ademais, o Ministério da Educação poderá instituir, nas escolas, aulas esportivas extracurriculares, como futebol e vôlei, ministradas por seus professores de educação física. Para que, assim, a população mais nova, por meio das escolas, atuem desde pequenos conforme uma força newtoniana capaz de mudar a inércia da obesidade infantil.