Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 24/10/2018
No limiar do século XXI, a obesidade infantil aparece como um dos problemas mais evidentes na sociedade brasileira. É mediante tal questão que muitas crianças desenvolvem quadros graves de problemas de saúde, como a diabetes e a hipercolesterolemia. Nesse contexto, é indispensável salientar que a má qualidade alimentar e a ausência de atividades físicas na rotina dos jovens estão entre as causas da problemática. Diante disso, vale discutir as motivações para o aumento da obesidade nesse segmento da sociedade e a importância da educação para a evolução do país.
Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que a obesidade apresenta tendência de crescimento entre as crianças e os adolescentes. Isso acontece porque, diante de uma situação de vulnerabilidade crítica, essa parcela da população torna-se vítima do “consumismo” imposto pelas cadeias de restaurantes de “fast foods”. Um exemplo disso acontece na franquia “McDonald’s”, que comercializa, também, hambúrgueres para o público infantil, de tal forma que o consumo é incentivado pelo oferecimento de atrativos, como brinquedos. O maior problema desses alimentos encontra-se em sua composição, na medida em que são riquíssimos em gorduras saturadas, açúcares e sais. Além disso, o educador físico Alexandre Humboldt pondera que a ausência de práticas esportivas na rotina dos jovens colabora para a progressão da temática, já que as calorias consumidas não são “queimadas”. Dessa forma, a obesidade é favorecida pelo excessivo acúmulo calórico.
Outro ponto em destaque - nessa temática - é a relevância da educação para o desenvolvimento da nação. Seguindo essa linha de raciocínio, o educador Paulo Freire sustenta a ideia de que, se a educação não pode transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Fazendo jus a esse conceito, é imprescindível a conscientização do público infantil sobre a educação alimentar, de maneira a incentivar o consumo de alimentos saudáveis. Nesse sentido, estudos do Instituto de Pesquisa de Campinas indicam que 80% dos refeitórios e cantinas escolares comercializam ou disponibilizam alimentos considerados como muito prejudiciais à saúde, como refrigerantes, frituras ou doces. Ademais, apenas 40% dos estudantes do ensino médio têm acesso a aulas de educação física. Sendo assim, é imperativo uma atuação do Estado no âmbito da solução desse impasse.
Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para combater a obesidade infantil. Cabe ao Ministério da Educação estabelecer um prazo de 6 meses para a substituição do cardápio dos refeitórios escolares, de modo que os alimentos ricos em calorias e açúcares sejam trocados por alimentos saudáveis, como frutas e hortaliças. Espera-se, com isso, que os jovens assimilem a cultura alimentar ofertada pelas escolas, o que refletirá na diminuição da obesidade e de doenças crônicas.