Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 26/10/2018
Ao contrário do que muitos pensam o excesso de peso nem sempre foi visto como algo ruim. No Brasil do início do século XX, devido à fome, à subnutrição e às epidemias que assolavam o país, apresentar sobrepeso era sinônimo de prosperidade. No entanto, com o processo de industrialização, foram criados novos padrões de beleza e a obesidade passou a ser associada à improdutividade. Atualmente, vivemos uma contradição entre a busca do corpo perfeito e a manutenção de hábitos alimentares baseados no consumo de alimentos industrializados. Esse novo padrão alimentar, somado ao sedentarismo, tem sido o responsável por aumentar cada vez mais os índices de obesidade infantil no país.
Segundo o Ministério da Saúde, mais de 30% das crianças brasileiras de 5 a 9 anos apresentam sobrepeso. Isso se deve principalmente à má alimentação infantil, ao sedentarismo e à grande influência da mídia. Como as crianças passam cada vez mais tempo em frente à TV, estão muito mais suscetíveis a receber as influências da mídia. A publicidade, por sua vez, incentiva o consumo de alimentos industrializados que, além de serem mais baratos e práticos, muitas vezes apresentam certo status social no universo infantil. Além disso, com o surgimento das novas tecnologias, as atividades físicas acabaram sendo deixadas de lado.
Por outro lado, a obesidade infantil pode acarretar muitos problemas na vida das crianças. Crianças acima do peso tem uma tendência muito maior a desenvolver doenças como o colesterol e as diabetes. Isso sem contar que a saúde física está diretamente relacionada com a saúde mental. Sendo assim, crianças que não praticam atividades físicas estão mais suscetíveis a apresentar problemas psicológicos como a ansiedade e a depressão. Esses e outros problemas são demonstrados no documentário “Super size me”. Nele, um americano passa um mês alimentando-se apenas de fast foods, a fim de observar os malefícios causados pela má alimentação como a depressão, a deterioração no fígado e problemas cardiovasculares.
Logo, é fundamental que haja uma mudança nos hábitos alimentares da população e um maior incentivo a prática de esportes. Os órgãos de proteção à infância devem fiscalizar as propagandas alimentares infantis, a fim de diminuir a influência da publicidade sobre o padrão de consumo. A mídia, por sua vez, deve criar programas que incentivem a criação de bons hábitos, como o desenho “Lazy Town” em que é ressaltada a importância de manter uma alimentação saudável e praticar exercícios físicos. Por fim, o Ministério do Esporte deve criar eventos e espaços esportivos, promovendo uma democratização dos ambientes voltados para a prática de atividades físicas para toda a população.