Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 27/10/2018

O documentário “Muito além do peso”, dirigido por Estela Renner, aborda o triste drama de crianças obesas, demonstrando os efeitos nefastos do alto consumo de alimentos industrializados. Hodiernamente, inúmeros são os infantes que se encontram nesse quadro alarmante no Brasil. Logo, é necessário combater os desafios à obesidade infantil no país, devido, infelizmente, não somente à falta de limites de muitos pais na educação alimentar de seus filhos, mas também aos veículos de comunicação, como a televisão.

Inicialmente, segundo Talcott Parsons, filósofo estadunidense, a família é fundamental na formação e desenvolvimento infantil. Portanto, sob esse viés, a ausência de barreiras dos pais no cardápio alimentar de seus filhos constitui um grave entrave no combate à obesidade infantil. Nesse contexto, assim como retratado no documentário “Muito além do peso”, visando a atender as demandas das crianças, muitos adultos fornecem-nas alimentos ultraprocessados, como os refrigerantes e salgadinhos, para a sua alimentação, que, em excesso, aumentam a massa adiposa no corpo, levando, por conseguinte, à obesidade. Ademais, a ingestão excessiva desses produtos acarretam outros danos à saúde, como a diabetes tipo 2 e a elevação da pressão.

Outrossim, além da displicência parental, as fontes midiáticas, a exemplo da internet e televisão, representam um outro impasse contra a obesidade infantil, pois, as crianças - seres sem uma formação crítica plenamente formada - são facilmente manipuladas pelas propagandas alimentícias a consumir produtos industrializados. Destarte, muitas delas incluem esses alimentos nocivos à saúde nas suas refeições diárias, contribuindo, deste modo, com o número de infantes obesos no Brasil. Aliás, tal atitude pode aumentar a incidência de casos de depressão entre as pessoas dessa faixa etária, uma vez que, acima do peso, elas são marginalizadas por não “atenderem” os padrões físicos impostos pela consciência coletiva.

Logo, diante dos argumentos supracitados, cabe aos pais educarem seus filhos, por meio da criação de limites e do bom exemplo, acerca do consumo de alimentos industrializados - haja vista a grande importância parental na formação infantil, como proposto por Talcott Parsons -  a fim de balancear a alimentação das crianças e, consequentemente, diminuir os casos de obesidade entre elas. Ademais, faz-se necessário o Ministério da Educação desenvolver projetos, como palestras, debates e cartilhas, a respeito dos efeitos nocivos da ingestão desacerbada de produtos ultraprocessados, com o fito de diminuir a influência das propagandas alimentícias e, por conseguinte, o consumo desses insumos.