Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 28/10/2018
A sociedade passou a desenvolver novos hábitos alimentares a partir da Revolução Industrial e do crescimento do meio urbano. Assim, devido, sobretudo, ao dinamismo presente na contemporaneidade, caracterizada por Zygmunt Bauman como “modernidade líquida”, nota-se um constante aumento pela preferência por produtos de fácil preparo, apesar do baixo valor nutricional, como os processados. Por conseguinte, as crianças tornaram-se uma das maiores vítimas dessa nova realidade, fato que torna consistente o aumento da obesidade infantil.
Deve-se pontuar, de início, que, segundo Karl Marx, no mundo capitalista a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Psicologia demonstrou que a indústria tenta influenciar a adesão aos produtos enlatados, processados e congelados, utilizando como justificativa a praticidade. Sob esse viés, as famílias tendem a ingerir substâncias menos saudáveis e compartilhá-las com as crianças, elevando as chances desses hábitos repercutirem na sua vida adulta, além da possibilidade de desenvolverem a obesidade infantil, considerada pela OMS como uma doença.
Outrossim, Durkeim aponta que o ambiente escolar possui uma função social. Entretanto, nota-se que nesse espaço os assuntos relacionados a forma de vida salutar, como tratamento e prevenção da obesidade são pouco discutidos. Nessa perspectiva, o pedagogo Edward Stuart, aponta que as escolas, principalmente da rede pública, não contemplam o desenvolvimento integral do indivíduo, na medida em que não promovem uma educação nutricional, corroborando para a perpetuação de maus hábitos. Dessa maneira, é crucial que as instituições educacionais abordem não somente temas relacionados às doenças e fisiologia corporal, como também trate da relação entre saúde e boa alimentação.
Portanto, para combater a obesidade infantil, é crucial que o Ministério da Educação implante no projeto político pedagógico das escolas, em âmbito nacional, medidas que estimulem o indivíduo a ter maior qualidade de vida, desde a infância. Para tanto, será necessária uma atuação interdisciplinar. Na aula de química será abordado a relação entre os itens consumidos e o gasto energético posterior. Concomitantemente, em sociologia será discutido sobre os prejuízos sociais de uma má alimentação. Em conformidade, a disciplina de biologia explanará as consequências da ingestão de alimentos açucarados e gordurosos. Por fim, será ofertado diversas modalidades esportivas com o acompanhamento de um professor de educação física. Logo, essas medidas irão fortalecer a prática de hábitos saudáveis desde a menor idade, favorecendo para uma sociedade mais sadia.