Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 29/10/2018
A partir da Revolução Industrial a sociedade passou a desenvolver novos hábitos alimentares. Dessa maneira, o dinamismo presente na contemporaneidade, caracterizada por Zygmunt Bauman como “modernidade líquida”, impulsionou a preferência por produtos de fácil preparo, apesar do baixo valor nutricional. Por conseguinte, as crianças tornaram-se uma das maiores vítimas dessa nova realidade, fato que torna consistente o aumento da obesidade infantil.
Deve-se pontuar, de início, que, segundo Karl Marx, no mundo capitalista a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, uma pesquisa realizada pelo IBGE aponta uma constância na venda de produtos enlatados, processados e congelados, embora sejam considerados pela OMS um dos maiores contribuidores para o aumento da obesidade infantil. Sob esse viés, tais alimentos oferecem a praticidade, entretanto, os altos teores de açúcar, gordura e conservantes podem prejudicar a saúde da criança. Consequentemente, fatores como o excesso de peso tornam-se uma realidade capaz de gerar outras patologias, como diabetes, colesterol alto e hipertensão.
Outrossim, a Revolução técnico-informacional permitiu maior democracia no acesso à tecnologia. Desse modo, o público infantil, comumente, substitui as brincadeiras de rua por meios eletrônicos, como os computadores, “videogames” e “smartphone”. Assim, as atividades físicas deram espaço ao sedentarismo. Logo, esse cenário de comodidade contribui para que o metabolismo seja lento, gerando aumento do tecido adiposo. Com efeito, o excesso de gordura na menor idade pode causar prejuízos para o desenvolvimento saudável do indivíduo que, segundo o psicólogo Edward Stuart, tende a manter os maus hábitos durante a fase adulta.
Portanto, para combater a obesidade infantil, é crucial que o Ministério da Educação implante no projeto político pedagógico das escolas, em âmbito nacional, medidas que estimulem o indivíduo a ter maior qualidade de vida, desde a infância. Para tanto, será necessária uma atuação interdisciplinar. Na aula de química será abordado a relação entre os itens consumidos e o gasto energético posterior. Concomitantemente, em sociologia será discutido sobre os prejuízos sociais de uma má alimentação. Em conformidade, a disciplina de biologia explanará as consequências da ingestão de alimentos industrializados. Por fim, será ofertado diversas modalidades esportivas com o acompanhamento de um professor de educação física. Em vista disso, essas medidas irão fortalecer a prática de hábitos saudáveis desde a menor idade, com o intuito de formar uma sociedade mais sadia.