Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 01/11/2018

De um lado, indústrias de alimentos dos mais variados, do outro, campanhas de ONGs apelando por uma alimentação mais saudável e, no meio desse “fogo cruzado”, estão as famílias e, principalmente, as crianças. Nesse cenário, não só o preço dos alimentos, mas também o sedentarismo agrava, ainda mais, a obesidade infantil no Brasil. Logo, é imperativo construir uma ação conjunta entre poder público e coletividade visando frear esse crescimento.

Inicialmente é fundamental notabilizar que os pais com renda média e baixa - maioria do Brasil- na hora do supermercado optam por alimentos com preços mais acessíveis. No entanto, não raramente, os alimentos mais saudáveis - orgânicos - possuem um alto custo, já aqueles que são processados e ultraprocessados, consequentemente hipercalóricos e hiponutritivos - prejudiciais a saúde -, possuem  um valor mais baixo e estes são os escolhidos. Dessa forma, fica evidente a negligência do que garante o artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o direito à saúde por todos. Vê-se, pois, a ineficiência da gestão governamental, refletindo negativamente na saúde, em especial das crianças.

Em paralelo, o sedentarismo de muitos meninos e meninas é também determinante para o aumento da obesidade. Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a rapidez é a maior marca do cotidiano dos indivíduos pós-modernos. Nesse sentido, os pais movidos pela correria do dia a dia, não percebem que os filhos passam o dia isolados assistindo desenhos ou jogando vídeogame, sem realizar algum tipo de esporte ou brincadeira que necessite fazer movimentos com o corpo. Assim sendo, indubitavelmente, sem perder calorias com algum exercício físico a criança aumenta seu peso, o que gera distúrbios físicos, biológicos e até mesmo psicológicos.

É seguro afirmar, portanto, que essa adversidade precisa ser freada. Para tanto, a sociedade civil, com apoio de ONGs e associações que militam nessa área, deve, por meio de petições, abaixo-assinados e manifestações em locais públicos e nas redes sociais, pressionar o poder público a diminuir os impostos sobre os alimentos mais saudáveis, de modo a torná-los mais acessíveis. Ademais, cabe à grande mídia em parceria com o Ministério da Saúde, fazer campanhas demonstrando a importância da observação dos pais para com os filhos e a necessidade de matriculá-los em algum tipo de esporte ou instigá-los a brincar a fim de movimentar o corpo. Tomadas essas medidas, aqueles que estão no “fogo cruzado” da epidemia de obesidade infantil tendem a se alimentar melhor e a se mover mais.