Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 01/11/2018

Paradoxalmente à saída do Brasil do Mapa da Fome em 2015 - lista de países que têm mais de 5% da população em situação de subnutrição - e à consequente relativa segurança alimentar conquistada, tem-se que a cada três crianças no país, uma está com sobrepeso, condição que também pode estar associada à subnutrição. Diante desse cenário, convém pontuar a publicidade infantil abusiva de alimentos processados como gatilho para o padrão de consumo não saudável, bem como a dificuldade do núcleo familiar em educar o paladar da criança.

Precipuamente, convém pontuar que as crianças ainda não detém discernimento crítico elaborado, de forma que são facilmente cooptadas por propagandas abusivas que possuem como única finalidade o interesse mercadológico. Paralelamente, os efeitos de tal comunicação mercadológica associada ao estilo de vida moderno ocidental - o qual prega celeridade e produtos industrializados a representa - são tão nocivos à propensão de uma criança tornar-se obesa que a Organização Mundial da Saúde já recomendou a redução da exposição das crianças a esse tipo de conteúdo midiático. Dessarte, aplica-se a tese do conceito de menoridade da razão do filósofo Immanuel Kant, o qual teoriza sobre seres humanos que são incapazes de atribuir juízo de valor aos fatos e reagir racionalmente, e por isso, exigem monitoramento de outros.

Por outra análise, dada a conjuntura da vida moderna marcada pela cultura técnico-científica e pelos consequentes desafios profissionais, vale salientar o desestímulo dos pais em educar o paladar das crianças frente a uma sociedade em que tudo é célere. Nesse sentido, a educação do paladar é um processo laborioso, o qual contraria tal celeridade, e portanto, é muitas vezes dispensado e substituído pela satisfação do paladar, o qual se caracteriza por consumir alimentos nutricionalmente deficientes. Trata-se, assim, de famílias que a partir de hábitos cultivados, corroboram para o desencadeamento de obesidade em seus filhos, dado que não se preocupam com o valor nutricional dos alimentos.

Em suma, com o fito de garantir a segurança alimentar no Brasil em todos os âmbitos, é imperativo que a publicidade infantil de alimentos seja regulamentada especificadamente por uma lei, por meio da aprovação de um projeto de lei pela Câmara, o qual se encontra em andamento há anos no plenário, de modo que o entendimento de uma criança da importância de uma alimentação saudável não seja deturpado por propagandas abusivas. Ademais, é fulcral que a lei que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a qual inclui educação alimentar no currículo seja posta em prática, por meio da fiscalização do Ministério da Educação. Conjuntamente, a aplicação de “oficinas de sabores” - com a criança entrando em contato com alimentos naturais -