Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 02/11/2018
Ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig, fascinado pelo potencial da nação, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa a deficiência de medidas na luta contra a obesidade infantil no Brasil, hodiernamente, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, torna-se evidente o menoscabo governamental e a negligência familiar, bem como a necessidade de uma ação conjunta do governo com o corpo social para solucionar o impasse.
Mormente, é indubitável que a questão constitucional e sua ineficiência estejam entre as causas do problema. Tal fato se reflete nos escassos investimentos governamentais em políticas de controle e prevenção da obesidade nas escolas, por meio de aulas de educação física e de educação alimentar, medidas que poderiam combater o sobrepeso infantil, e devido à falta de administração e fiscalização pública por parte de algumas gestões, isso não é firmado. Dessa forma, a ineficácia educacional facilita o estado de anomia, um risco a saúde mental e física das crianças, que se tornam vulneráveis a diversas doenças, como diabetes e hipertensão.
Ademais, os pais são agentes ativos que corroboram a má alimentação das crianças. Isso pode ser justificado pelo conceito de “modernidade líquida”, de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo. Desse modo, os progenitores, ao estarem imersos nesse panorama líquido, acabam por não se importar em educar de forma saudável o paladar de seus progenitos. Assim, somando-se ainda ao sedentarismo, advindo do uso intensivo de recursos tecnológicos, como celulares e video games, em detrimento da prática de esportes, é notório que o número de menores obesos tende a crescer, segundo a BBC Brasil, até 2025 o país terá mais de 11 milhões de crianças com excesso de peso.
Urge, portanto, que instituições e indivíduos cooperem para mitigar a obesidade infantil. Destarte, o Ministério da Educação deve implementar nas escolas aulas e palestras, ministradas por nutricionistas, que discutam e fomentem a importância de uma alimentação saudável, além de intensificar às práticas de exercícios físicos, por meio das aulas educação física, a fim de que haja um combate efetivo contra o sobrepeso. Além disso, o Ministério das Comunicações deve veicular uma campanha de cunho educativo, na televisão e na internet, que ensine os pais a educar os seus filhos quanto à uma alimentação balanceada e, ainda, os incentive a praticar esportes ao ar livre, para que se extermine o individualismo familiar e a obesidade infantil. Assim, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.