Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 25/03/2019

Os desafios da obesidade infantil no século XXI

A reflexão do médico Drauzio Varella explica que “a obesidade infantil é um problema grave.” Embora o Ministério da Saúde (2018) realizasse acordo para redução da quantidade de açúcar, conforme padrão da Organização Mundial de Saúde, os pais desconhecem ou ignoram os perigos da alimentação, além da exposição demasiada de produtos processados, a insegurança sobre as informações transmitidas nas embalagens, atrelada à insuficiência de políticas públicas garantidas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o que acarreta esse cenário.

É importante ressaltar que a obesidade infantil tem como conseqüências inúmeras doenças, como diabetes, hipertensão e depressão. Como visto no caso de propagandas na TV em que a indústria alimentícia vende a ideia de praticidade por meio de congelados e pré-prontos. Além disso, outro desafio é a falta de incentivo à prática de esportes, em que crianças usam tablets e vídeo-game, levando-as ao sedentarismo. Essa relação paradoxal entre alegação falsa de nutrição como “rico em fibras” e o comportamento das famílias, através de gastos e preferências, ratifica a fragilidade da fiscalização com relação à publicidade.

Apesar da vulnerabilidade criada pela obesidade infantil, medidas importantes já existem no panorama brasileiro, no entanto, fazem-se ineficientes no que tange ao combate dessa condição. Segundo dados do Hospital Israelita Albert Einstein, no Brasil, há mais de dois milhões de casos por ano, sendo, provocado pela alimentação inadequada e hábitos de condicionamento físico de toda a família. Não obstante, a obesidade infantil aumenta os custos do Sistema Único de Saúde, tornando-o influenciado por uma realidade que pode ser evitada na Atenção Básica.

Impende, pois, que o século XXI é pautado por uma contrariedade entre a necessidade de alimentação saudável e a vida corrida (moderna). Assim, faz-se necessário a ampliação de medidas que protejam as crianças para além de comerciais abusivos, mas que as assegurem de serem incentivadas à alimentação adequada. O Governo Federal, então, deve sensibilizar pais e filhos, com campanhas em nível nacional. O Estado deve ampliar a fiscalização da publicidade. Além disso, as escolas devem institucionalizar e incentivar projetos, ações e disciplinas de alimentação saudável, para que as crianças gozem do direito assegurado na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e Adolescente. Somente deste modo, educando o paladar das crianças desde cedo e com canal de comunicação há possibilidade de combater, como disse Drauzio Varella, esse “problema grave”.