Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 17/04/2019

A obesidade é um problema de saúde pública no Brasil, e sua prevalência vem aumentando substancialmente, principalmente em crianças e adolescentes. Segundo o Ministério da Saúde, um em cada três brasileiros apresenta sobrepeso ainda na infância. Nesse sentido, observa-se que a obesidade infanto-juvenil reflete um cenário desafiador, sendo indispensável identificar as suas causas e consequências para que sejam propostas medidas resolutivas para a problemática.

Em primeira análise, cabe pontuar que, infelizmente, a obesidade na população jovem vem sendo impulsionada pelo consumo, cada vez maior, de alimentos industrializados, aliado ao sedentarismo. De acordo com uma pesquisa publicada pelo IBGE, as crianças e adolescentes consomem mais guloseimas e alimentos ultraprocessados do que frutas e legumes, além de praticarem pouca ou nenhuma atividade física. Sob esse viés, é inegável a grande influência do contexto familiar nesse processo, haja vista que esse recorte populacional é diretamente influenciado pelos hábitos físicos e alimentares praticados por seus progenitores, sobretudo, devido à relação de dependência financeira e emocional estabelecida entre pais e filhos.

Ademais, outro ponto relevante, nessa temática, são as consequências que a obesidade precoce acarreta aos indivíduos. Segundo um artigo publicado pela Fiocruz, a incidência da obesidade em crianças e adolescentes desencadeia problemas crônicos de saúde, como diabetes e hipertensão arterial, além de transtornos psicológicos, como depressão e bulimia. Logo, o combate à obesidade infanto-juvenil é urgente e necessário, considerando que essa doença pode acompanhar o indivíduo até a fase adulta, potencializando ainda mais as enfermidades associadas. Da mesma forma, é essencial garantir bons cuidados alimentares desde a primeira infância, em consonância com o engajamento dos pais e a mudança de hábitos da família, para que a criança sequer vivencie tais comorbidades.

Portanto, é indispensável a adoção de medidas capazes de minimizar a incidência da obesidade infanto-juvenil no Brasil. Para tanto, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, deve promover ações educativas nas escolas, por meio de profissionais especializados, com a finalidade de educar alunos, pais, professores e comunidade escolar acerca da necessidade de mudança de hábitos relacionados à alimentação e atividade física, expondo as principais causas que levam os jovens e adultos à obesidade, e também as consequências desse grave problema. Essas ações, além de envolver todos os anos escolares, devem ser transmitidas nas redes sociais, a fim de propiciar a participação de grande parte da sociedade. Assim, o Brasil poderá reduzir a incidência da obesidade na população.