Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 21/04/2019

‘‘Não vivemos para comer, mas comemos para viver’’, as palavras do filósofo grego Sócrates contemplam a inegável atemporalidade da questão da obesidade. Contudo, a conduta alimentar deficiente, com enfoque no público infantil, mostra raízes em recursos relativos à época contemporânea, dentre os quais se destacam a publicidade e a escassez de melhores políticas públicas de prevenção.

Embora inigualável produtora de recursos capitais para a economia nacional, a publicidade infantil, relativa à produção alimentícia, tem uma péssima repercussão na saúde dos pequenos. Redes ‘‘fast-food’’ como o McDonald’s e o Burger King, por exemplo, são enormemente culpadas por idealizar o consumo de alimentos desnecessariamente calóricos e processados por crianças.

Ademais, a inexistência de incentivos, sobretudo fiscais, que promovam o consumo de alimentos saudáveis provou ser um grande ônus carregado por muitos países, segundo uma pesquisa realizada nos EUA ainda este ano. De acordo com os pesquisadores, o governo pouparia cerca de 40 bilhões de dólares em hospitalizações e tratamentos de doenças cardíacas, diabetes, pressão alta, dentre outros problemas também decorrentes da obesidade, se promovesse a compra desses alimentos. No Brasil, a ideia de incentivos como esses não apenas alivia a demanda de serviços do SUS como é potencial aliada na prevenção de mortes prematuras, sobretudo de crianças, que são o grande alvo da questão.

Dessa maneira, o Brasil enfrenta como empecilhos à erradicação da obesidade infantil a publicidade direcionada a esse público específico, bem como a escassez de melhores políticas no ramo da saúde de uma maneira geral. Nesse sentido, faz-se necessária melhor visibilidade às causas do Ministério da Saúde pelo governo federal, que, por sua vez, vez poderá destinar verbas à criação de um programa de incentivos fiscais à compra de frutas e vegetais no país. Além disso, também poderá popularizar, por meio de publicações em páginas oficiais, o consumo em ‘‘fresh-foods’’ (essencialmente em contraposição aos ‘‘fast-foods’’) empresas alternativas que viabilizam refeições rápidas, mas não desprovidas de produtos saudáveis e frescos, promovendo, desse modo, um melhor panorama no que tange o combate aos índices de obesidade entre os infantes.